Kevin Spacey se declara inocente de acusações de agressão sexual em Londres

O ator americano Kevin Spacey, acusado de quatro agressões sexuais a três homens, se declarou não culpado perante a justiça britânica nesta quinta-feira em uma audiência preparatória. Ele responde em liberdade.

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O ator de 62 anos, cuja carreira foi abalada por alegações de agressão sexual nos Estados Unidos em 2017, retiradas desde então, compareceu a um tribunal de Londres para responder por supostos eventos entre 2005 e 2013 em sua maioria no bairro londrino de Lambeth, onde fica o famoso teatro Old Vic, do qual foi diretor artístico entre 2004 e 2015.

Duas acusações apresentadas se referem a agressões sexuais cometidas em março de 2005 em Londres contra o mesmo denunciante, que hoje tem mais de 40 anos.

Outra agressão sexual envolveu um segundo denunciante em agosto de 2008 — atualmente a pessoa tem mais de 30 anos — e implica atividades sexuais com penetração sem consentimento.

O ator é acusado por uma quarta agressão sexual, em abril de 2013 em Gloucestershire, sudoeste da Inglaterra, contra um terceiro homem, também na casa dos 30 anos.

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Vencedor do Oscar por "Beleza Americana" (1999), Spacey tinha feito sua última aparição no tribunal britânico em meados de junho depois das acusações, datadas de maio.

"O senhor Spacey nega veementemente qualquer tipo de crime neste caso", afirmou seu advogado, Patrick Gibbs, em 16 de junho.

A investigação da Polícia Metropolitana de Londres sobre esses casos começou em 2017.

— Ele também foi acusado de fazer uma pessoa se envolver em atividade sexual com penetração sem consentimento. As acusações seguem uma revisão das evidências reunidas pela Polícia Metropolitana em sua investigação — afirmou Rosemary Ainslie, chefe da Divisão de Crimes Especiais do CPS, à revista Variety. — O Serviço de Procuradoria da Coroa lembra a todos os interessados que os processos criminais contra Spacey estão ativos e que ele tem direito a um julgamento justo.

Um homem na faixa dos 40 anos afirmou ter sido agredido sexualmente por Spacey duas vezes em março de 2005. Outro homem, com cerca de 30 anos, disse que o crime contra ele ocorreu em agosto de 2008. Ambas situações teriam ocorrido em Londres. Já a vítima de Gloucestershire, também na casa dos 30 anos, contou que o abuso sexual contra ele foi em abril de 2013.

A onda de acusações que acabou com a carreira de sucesso de Spacey correspondeu ao surgimento do movimento #MeToo, que nasceu em 2017 do caso do poderoso produtor de cinema americano Harvey Weinstein.

Há cinco anos, surgiram os primeiros relatos de abuso sexual que teriam sido cometidos pelo ator. Por causa disso, ele foi retirado da série da Netflix “House of cards”, que lhe rendeu um Globo de Ouro, e teve suas cenas cortadas do drama “Todo o dinheiro do mundo”, de Ridley Scott. Em seu lugar entrou Christopher Plummer (1929-2021), que chegou a receber uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Em 2021, entretanto, Spacey voltou a atuar. Ele participou do filme “L'uomo che disegnò Diò” (O Homem que desenhou Deus, em tradução livre), do diretor Franco Nero no papel de um detetive que investiga uma falsa acusação de pedofilia contra um artista cego, vivido por Nero. Ele também interpretou ainda um vilão no filme "Peter five eight" (Peter cinco oito), cujo trailer foi levado ao Festival de Cinema de Cannes neste ano na busca por distribuidores para os cinemas.

Contra Spacey, já foram feitas mais de 20 denúncias de homens acusando-o de assédio sexual no período entre 1995 e 2013. Durante este tempo, muitas das supostas vítimas eram menores de idade.

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