Khalida Popal, em nome das jogadoras de futebol afegãs

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(Arquivo) A ex-capitã da seleção feminina de futebol do Afeganistão, Khalida Popal, em 9 de abril de 2018

Ela deixa de dormir, mas não se rende. Na Dinamarca, onde mora, a ex-capitã da seleção feminina de futebol do Afeganistão organiza a expatriação de jogadoras ameaçadas pelos talibãs e deseja continuar seu combate pela emancipação das mulheres em seu país natal.

"Conseguimos levar 75 pessoas do Afeganistão, principalmente jogadoras e seus familiares", para a Austrália, afirma Khalida Popal, sentada na arquibancada do estádio do FC Nordsjaelland, clube da primeira divisão dinamarquesa, do qual é coordenadora do departamento comercial.

Refugiada no país escandinavo há dez anos - porque estava sob ameaça no Afeganistão -, a jovem não descansa. Presa ao celular, ela organiza, junto com outros atores como o Sindicato Mundial de Jogadores de Futebol (FIFPro), a retirada das jogadoras.

Sua caixa de mensagens não para de receber novos pedidos de ajuda.

Popal recebe relatos de jogadoras apavoradas, algumas delas perseguidas pelos islâmicos, outras agredidas e proibidas de jogar futebol, já que a prática esportiva feminina é proibida pelo Talibã.

"Tive que tomar as rédeas, junto à minha equipe, para ajudar as jogadoras a saírem do Afeganistão. Elas choravam, queriam ser protegidas", conta.

"Disse a elas para se unirem, manterem a esperança, não desistirem. Foi o mais difícil", acrescenta, sem dar os nomes das atletas e das militantes que permanecem no país.

"Estamos tentando que mais jogadoras consigam sair do Afeganistão. Faremos tudo o que for possível para retirar nossas jogadoras de lá", afirma, com convicção.

Para ela, o futebol é uma paixão, mas, acima de tudo, uma ferramenta de emancipação primordial para as mulheres afegãs. Tudo o que ela aprendeu na quadra, começando pela superação e pelo espírito de equipe, coloca em prática agora.

Popal ainda se lembra de sua infância no Afeganistão, roubada pelos talibãs.

"Não pude ir à escola, nem ter atividades sociais. O futebol foi nossa revanche contra os talibãs, nossa forma de mostrar que são nossos inimigos", confessa a jovem de 34 anos.

Depois de um início tímido há 15 anos, a prática do futebol entre as mulheres foi crescendo. Até que desapareceu, de um dia para o outro, com a queda de Cabul em 15 de agosto.

"Começamos com um grupo pequeno e aumentamos até 3.000 ou 4.000 meninas e mulheres", conta Khalida Popal. "Tínhamos árbitros, treinadores, mulheres treinadoras", lembra.

"Todas essas conquistas desapareceram com a queda de Cabul. É muito triste", suspira.

O futuro dessas jogadoras é incerto. Elas "talvez voltem a jogar futebol, mas não jogarão mais pelo Afeganistão, já que não terão país, nem seleção nacional", desabafa.

Os talibãs "mudaram a bandeira do Afeganistão, a bandeira pela qual jogávamos com orgulho", lamenta. "Tiraram de nós o nosso orgulho".

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