Kim defende 'aumento exponencial' do arsenal nuclear da Coreia do Norte

O líder norte-coreano, Kim Jong Un, defendeu um "aumento exponencial" do arsenal nuclear do país, que inclua o desenvolvimento de mísseis potentes de contra-ataque — informou a imprensa estatal neste domingo (noite de sábado, 31, no Brasil).

Em um relatório ao fim de uma reunião-chave de seu partido, Kim pediu "um aumento exponencial do arsenal nuclear do país", noticiou a agência KCNA.

Citando a "hostilidade" de Estados Unidos e Coreia do Sul, o texto afirma que o Norte precisa "produzir en massa armas nucleares táticas" e "desenvolver outro sistema de mísseis balísticos intercontinentais, cuja missão principal é um rápido contra-ataque nuclear".

Esses objetivos fazem parte do "principal orientação" da estratégia nuclear e de defesa de 2023, completa a matéria.

A tensão militar se acentuou na península coreana em 2022, devido à série recorde de testes de armamentos feitos pelo Norte e ao reforço de exercícios conjuntos entre os exércitos sul-coreano e americano.

A série de disparos de Pyongyang terminou no sábado (30), com três mísseis de curto alcance e, em seguida, com um lançamento incomum, na madrugada de domingo, às 2h50 locais (15h50 de sábado em Brasília), relataram os militares sul-coreanos.

De acordo com a agência KCNA, foram "disparos de teste de vários grandes lança-foguetes".

Kim disse que as armas têm capacidade de "carregar ogivas nucleares táticas" e põem a Coreia do Sul "totalmente dentro do alcance" do impacto.

A Coreia do Norte enfatiza isso "para alertar sobre a possibilidade de uma ação real", explicou Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos, em Seul.

"A Coreia do Norte indica uma mudança tática, pressionando os Estados Unidos, indiretamente, ao pressionar a Coreia do Sul", acrescentou.

No início da semana, cinco drones norte-coreanos entraram no espaço aéreo sul-coreano, levando Seul a mobilizar caças.

- 'Corrida armamentista' -

Para Lim Eul-chul, professor da Universidade de Kyungnam, o último anúncio de Kim mostra que "estão se preparando para a possibilidade de uma guerra real".

Ele também advertiu que, se Estados Unidos e Coreia do Sul responderem, como é provável, intensificando as manobras militares, as tensões intercoreanas chegarão a "um nível sem precedentes" em 2023.

Meses atrás, Kim disse que queria transformar a Coreia do Norte na maior potência nuclear do mundo e que mudou a lei do país para declarar esse "status" como "irreversível".

O país comunista já havia falado sobre a produção em massa de armas nucleares antes, lembra Go Myong-hyun, pesquisador de Estudos Políticos do Asan Institute.

"A intenção é que, se a Coreia do Norte produzir armas nucleares em massa, mesmo sem provocações agressivas, os Estados Unidos não terão outra opção a não ser, algum dia, reconhecer a Coreia do Norte como um Estado nuclear", disse à AFP.

O informe surge no final de uma importante reunião do partido de Kim, na qual o líder e outros funcionários de alto escalão estabeleceram as metas de 2023 em áreas como diplomacia, segurança e economia.

Os líderes norte-coreanos também planejam lançar seu primeiro satélite militar "o mais cedo possível", disse a agência de notícias KCNA.

A Coreia do Sul também busca o mesmo objetivo e, na sexta-feira (29), lançou um foguete espacial de combustível sólido.

Para Leif-Eric Easley, professor da Ewha University, é provável que Seul aumente suas capacidades defensivas e sua preparação para agir, caso seu vizinho do norte siga adiante em seu plano de produzir armas nucleares em massa.

"Se a China não quiser a instabilidade regional de uma corrida armamentista intercoreana à sua porta, terá de fazer mais para conter Pyongyang em 2023", observou.

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