Kim Jong Un diz que visitará Seul e concorda em fechar local de testes de mísseis

Por Park Chan-kyong
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, durante uma entrevista coletiva conjunta com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, em 19 de setembro de 2018 em Pyongyang

O líder norte-coreano, Kim Jong Un, afirmou nesta quarta-feira (19) que pode viajar a Seul em um futuro próximo, no que seria a primeira visita de um dirigente da Coreia do Norte à capital sul-coreana desde a divisão da península, e concordou em fechar um local de testes de mísseis.

"Prometi ao presidente (sul-coreano) Moon Jae-in que visitarei Seul em um futuro próximo", disse Kim durante a entrevista coletiva ao final da reunião de cúpula em Pyongyang.

Moon Jae-in, que visitou a capital norte-coreana com o objetivo de relançar as negociações sobre a desnuclearização da Coreia do Norte, avaliou que a visita de Kim poderá ocorrer ainda este ano, sempre e quando não a impeçam "circunstâncias particulares".

O presidente sul-coreano anunciou ainda que a Coreia do Norte aceitou "fechar de forma permanente" a área de testes de mísseis de Tongchang-ri, também conhecida como Sohae, "na presença de especialistas dos países relevantes".

A Coreia do Norte é alvo de múltiplas sanções do Conselho de Segurança da ONU devido a seus programas nuclear e balístico, proibidos, e já realizou vários lançamentos de mísseis a partir de Tongchang-ri.

Mas também anunciou disparos a partir de outras instalações, como o Aeroporto Internacional de Pyongyang, o que relativiza o alcance dos compromissos de Kim.

O presidente sul-coreano afirmou ainda que a Coreia do Norte poderá fechar o complexo nuclear de Yongbyon, desde que Washington adote as "medidas correspondentes", uma medida também formulada de forma vaga.

"Proponho que acabemos completamente com 70 anos de hostilidade e tome um grande impulso para a paz, para voltar a ser um único país", declarou Moon, segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, celebrou de Washington esses "progressos extraordinários". "No dia de hoje, as relações, ao menos a nível pessoal, são excelentes", assinalou, sem fazer alusão ao tema fundamental da desnuclearização.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, por sua vez, disse ter falado com o chanceler norte-coreano e que o convidou para uma reunião em Nova York na semana que vem, à margem da Assembleia Geral da ONU.

Pompeo elogiou os "importantes compromissos" assumidos por Pyongyang e disse que Washington está disposto a "iniciar imediatamente as negociações" para conseguir a desnuclearização norte-coreana "até janeiro de 2021".

- Degelo e diplomacia -

Moon e Kim se encontraram em abril para uma primeira reunião muito simbólica na Zona Desmilitarizada (DMZ) que divide a península.

Em junho aconteceu o encontro histórico, em Singapura, entre o líder norte-coreano e o presidente americano.

Lá, Kim reiterou o compromisso norte-coreano a favor da desnuclearização da península, mas sem entrar em detalhes. Washington e Pyongyang divergem sobre o que significa exatamente o compromisso.

O governo americano exige "uma desnuclearização definitiva e completamente verificada", enquanto o regime norte-coreano quer uma declaração oficial dos Estados Unidos para encerrar a guerra da Coreia, que terminou em 1953 com um armistício.

Neste contexto, uma visita de Kim a Seul — inédita desde o fim da guerra — permitiria ao Norte e ao Sul a retomada de projetos de cooperação.

O dirigente norte-coreano deseja que seu país se beneficie da potência econômica do Sul, enquanto Moon pretende afastar da península o fantasma de um devastador conflito intercoreano.

- Modernidade -

O jornal Rodong Sinmun, órgão do Partido Comunista no poder em Pyongyang, fez uma grande cobertura da reunião, com a publicação de 35 fotos em quatro de suas seis páginas.

Pyongyang queria passar uma imagem de modernidade, o que se refletiu em vários dos acontecimentos ocorridos.

Nesta quarta-feira à noite, Moon e sua delegação jantaram com Kim e sua esposa em um restaurante de frutos do mar recentemente inaugurado ao lado do Taedonggang, o rio que atravessa a capital.

O local fica diante da colina Mansu, onde as estátuas gigantes do fundador da Coreia do Norte, Kim Il Sung, e de seu filho e sucessor, Kim Jong Il, dominam a paisagem.