Da Amazon a Hollywood, o império cultural de Jeff Bezos

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Se Jeff Bezos já estava na história por ter criado a Amazon, agora adicionou uma nova linha a sua biografia. O homem mais rico do mundo fez o primeiro voo tripulado para o espaço sem piloto na última terça-feira e passou o dia nas manchetes do mundo inteiro. Além de dominar o comércio eletrônico, ele dá passos largos para dominar o espaço.

Mas Bezos não é só Amazon nem nave espacial (ou questões trabalhistas, bem como bem lembraram as redes sociais enquanto ele viajava pelo espaço). Os tentáculos de Jeffrey Preston Bezos, americano do Novo México, de 57 anos, estão em várias áreas da cultura, do livro digital a filmes vencedores do Oscar.

Livros

O caminho rumo aos bilhões começou com livros, em Seattle. A Amazon de Jeff Bezos inicialmente era uma livraria on-line, cuja primeira venda foi feita em 1995 e partiu de um estoque montado numa garagem. Com um site fácil de navegar, encorajando os leitores a postarem resenhas e com preços competitivos, o site virou um sucesso. Não seria, então, exagero dizer que a viagem espacial de Bezos começou na literatura. Inclusive, uma busca no site do próprio mostra como o criador e sua criatura são temas férteis para a produção de livros. "A loja de tudo", "As cartas de Bezos", "Amazon sem limites", "Inventar & Vagar: Príncipios e Filosofias da Amazon e Blue Origin" _ todos são livros que tentam tirar uma lasca do sucesso do americano.

A agressividade no quesito preço, apesar de ser um dos maiores sucessos do site hoje quando se trata de comércio de livro, é motivo de discussão no mercado editorial. A política agressiva da gigante americana é uma das razões apontadas por muitos para a falência de livrarias físicas e da pouca margem de lucro das próprias editoras.

Kindle

Os livros são joia da coroa do bilionário, não importa se físicos ou digitais. Tanto que, em 2007, ele lançou o Kindle, um dos mais populares dispositivos de leitura de e-books do mundo, que causou uma revolução no mercado. O empresário já tinha tido contato com um e-reader quase uma década antes, mas não tinha ficado satisfeito com o que viu. Na época, ele vendia e-books, mas que eram lidos como PDFs ou em sistemas da Microsoft no computador, algo que ele particularmente não gostava.

Por isso, em 2004, Bezos criou o Lab126, um espaço de inovação de onde deveria sair algo que desbancasse a venda de livros da própria Amazon. Ele encomendou, então, um aparelho que fosse de fácil manuseio até para que não entendesse de tecnologia, com uma tela confortável para a leitura e um ambiente de loja virtual que abastecesse essa criação. Daí surgiu o Kindle e sua loja de e-books.

Prime Video e Amazon Studios

A primeira tentativa de serviço de video on-demand da Amazon foi lançado nos Estados Unidos com o nome de Amazon Unbox, em 2006. Gradualmente, a empresa foi alterando a forma de venda e o nome do serviço, expandindo-o até chegar ao formato atual do Prime Video. Em 2016, o streaming como conhecemos já estava quase no mundo inteiro - ausente apenas em países como China, Cuba, Irã, Síria e Coreia do Norte.

Além de distribuir filmes e séries de parceiros, o Prime Video é a tela para as produções originais do braço hollywoodiano e televisivo da Amazon, o Amazon Studios, fundado originalmente em 2010. No entanto, a entrada nesse mercado começou em 2008, quando Bezos se aliou a 20th Century Fox no filme "The Stolen Child".

Desde então, os produtos audiovisuais da Amazon têm crescente aceitação tanto de público quanto da crítica. Em 2015, a série "Transparent" foi a primeira a ganhar um grande prêmio, no caso, o Globo de Ouro de melhor comédia. Em 2017, o filme "Manchester à beira-mar" foi a primeira produção da casa a ser indicada ao Oscar de melhor filme. O longa concorreu em seis categorias e levou duas estatuetas: melhor ator, para Casey Aflleck, e melhor roteiro original.

IMDB

Antes mesmo de pensar em mergulhar fundo na produção audiovisual, Jeff Bezos começou a dar suas braçadas nesse meio ao comprar o Internet Movie Database, conhecido pela siga IMDB, em 1998, por US$ 55 milhões. O site existe na web desde 1993 e consiste num banco de dados sobre filmes, séries, atores e equipes de produção do mundo inteiro, com espaço para biografias, curiosidades e avaliações.

Em 2002, Bezos lançou o IMDB Pro, um serviço de assinatura voltado para a indústria, através do qual é possível ter acesso a contatos e detalhes mais aprofundados sobre as produções.

Twitch

A plataforma, criada é 2011 como um misto de streaming e rede social, foi comprada por Bezos em 2014 por US$ 970 milhões. Inicialmente dominada por gamers, a Twitch deu um salto em 2020 com a pandemia, se transformando em espaço procurado por quem também faz transmissões musicais ao vivo.

No entanto, em junho do ano passado, muitos artistas americanos travaram uma luta por direitos autorais de suas músicas executadas na plataforma. A "briga" começou com muitos autores emitindo “notificações de remoção” de conteúdo no Twitch, inclusive com 2,5 mil avisos legais apresentados por uso impróprio de músicas em jogos eletrônicos ou transmissões ao vivo. A Aliança pelos Direitos dos Artistas atacou formalmente a abordagem da Amazon em licenciar músicas para seus serviços de streaming, mas não fazê-lo para a Twitch.

Numa audiência no Congresso americano perante a comissão antimonopólio, Bezos chegou a ser perguntado se "estava correta a informação de que a Twitch permitia os usuários a usarem músicas que não eram licenciadas". Ao que ele respondeu: "Eu não sei".

Em setembro, a plataforma lançou uma ferramenta para os usuários usarem músicas licenciadas em suas transmissões e, em novembro, garantiu estar negociando ativamente com gravadoras sobre "sobre possíveis abordagens para licenças adicionais que seriam apropriadas para o serviço Twitch".

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