Kit intubação acaba, e dois hospitais do Espírito Santo pedem transferência de 18 pacientes

Bruno Alfano
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RIO — Dezoito pacientes entraram na fila por uma vaga de UTI no Espírito Santo. Eles estão internados no Hospital Evangélico de Cachoeiro e Hospital Evangélico Litoral Sul, em Cachoeiro de Itapemirim (ES) e, em ambos, não há mais remédios do chamado kit intubação. Dezesseis estão com Covid-19.

A informação é do médico Marcus Thompson, responsável pelos pedidos de transferência e coordenador das duas UTIs.

— Pacientes estão sendo colocados na central de vagas do governo estadual para transferência para outras unidades por falta de medicamentos. A secretaria estadual respondeu que não tem como nos ajudar com medicações — afirmou o médico.

Os dois hospitais são filantrópicos, ou seja, dirigidos por entidades sem fins lucrativos e financiados e abastecidos pelo estado. Na região Sul do Espírito Santo, 149 (78%) dos 191 leitos de UTI para tratamento de Covid são de unidades filantrópicas. Juntos, o Hospital Evangélico de Cachoeiro e o Hospital Evangélico Litoral Sul têm 27% dos leitos da região.

A Secretaria estadual de Saúde do Espírito Santo foi procurada, mas ainda não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Atualmente, a taxa de ocupação dos leitos de UTI Covid na região é de 86,91%. Pouco abaixo do estado inteiro, que é de 87,16%, segundo dados do governo do estado.

— A situação da UTI está um caos — desabafa Thompson.

No domingo passado, o estado recebeu 66.231 medicamentos do kit intubação. O envio dos medicamentos foi realizado pelo Ministério da Saúde por meio de doação de empresas privadas nacionais como Engie, Vale, Itaú Unibanco, Klabin, Petrobras, Raízen e TAG.

Naquele dia, o secretário de Saúde do estado, Nésio Fernandes, afirmou que o carregamento, somado às entregas parciais sendo realizadas pelos fornecedores e às compras internacionais, daria para até 20 dias de estoque, o que não se confirmou.

O momento da intubação de pacientes com Covid, ou seja, quando precisam receber um tubo pela boca que levará o ar de um respirador mecânico até os pulmões, depende de três tipos de medicação: analgésico, sedativo e bloqueador neuromuscular.

As três drogas precisam ser usadas em sequência nas UTIs para introduzir o tubo nos pacientes. Sem remédios não é possível fazer esse procedimento.

Feita a intubação, o doente ainda vai precisar de remédios por vários dias. Analgésicos e sedativos são de praxe para quem está com o ventilador mecânico, mas há aqueles, principalmente os em estado mais crítico, que precisam de bloqueador neuromuscular de forma contínua.