Klopp elogia o Flamengo: 'Tem tudo o que é necessário e não está acostumado a perder'

Carlos Eduardo Mansur, enviado especial

DOHA — Jürgen Klopp enfim se debruçou sobre as características do Flamengo, rival deste sábado na final do Mundial de Clubes. O técnico do Liverpool, que antes do torneio admitira conhecer pouco do rubro-negro, rasgou elogios ao rival em entrevista na véspera do confronto:

— Sei o que podemos esperar: (um adversário) muito intenso, muito organizado, Jorge Jesus mudou o time, realmente ajustado em sua escalação, todos sabem o que devem fazer. Jogam construindo jogadas, podem jogar direito, podem ir por dentro, têm jogadas pelos laterais... Têm tudo o que é necessário para um time de futebol. E não estão tão acostumados a perder jogos. Mas eu nunca joguei com o Flamengo, e o Flamengo também nunca jogou com um time como Liverpool.

O desconhecimento dos europeus sobre o futebol praticado na América do Sul foi um dos temas recorrentes nos debates que antecederam o Mundial. Naturalmente voltados às suas disputas no Velho Continente, técnico e jogadores do Liverpool deixaram para se aprofundar no Flamengo após a classificação sobre o Monterrey, na semifinal.

Esse comportamento é revelador dos diferentes pesos dado ao torneio da Fifa no Brasil e na Inglaterra.

— Ouvimos dizer: 'Fiquem em casa e joguem a Carabao [Copa da Liga Inglesa]. Eles (ouviram) 'voltem como heróis''. É uma grande diferença. Mas estamos aqui, queremos vencer a competição — reflete Klopp, que admite uma mudança de visão. — A torcida do Liverpool quer que vençamos, talvez outras não. Agora, para nós, parece uma coisa especial. Resolvemos questões de sono, agora nos sentimos mais prontos. Vamos sentir a tensão da situação, uma máxima oportunidade, vamos tentar ao máximo.

Tal comportamento não esconde, porém, uma velha admiração de Klopp.

— Meu pai me falava sempre: 'Não importa o que aconteça no futuro, Pelé é o maior da história'. Adoro o futebol que vem deste país maravilhoso — disse o treinador dos Reds.

Não foi apenas Pelé quem mereceu elogios de Jürgen Klopp. O português Jorge Jesus, principal responsável pela arrancada que levou o rubro-negro aos títulos da Libertadores e do Brasileirão, teve seu mérito reconhecido pelo adversário da final do Mundial. Klopp atentou para a popularidade do técnico no Brasil e afirmou que ele certamente reencontraria espaço no mercado europeu.

— Se tivesse uma eleição agora, talvez ele pudesse ser presidente do Brasil. Ele tem grandes trabalhos na carreira: Benfica, depois um movimento interessante indo para o Sporting. É bem organizado, tem rotinas interessantes para bolas paradas. Eu sigo seus métodos há algum tempo. Acho que é a primeira vez que nos enfrentamos. Ansioso para nos encontrarmos amanhã, tivemos juntos num encontro da Uefa. Claro que, se ele quiser, ele tem a oportunidade de ir a um clube europeu. Mas o Rio é uma bela cidade, e ele pode querer ficar lá.