Klopp evita falar sobre violações de direitos no Qatar, mas diz: 'Todos devem ser tratados de forma igual'

Carlos Eduardo Mansur, enviado especial

DOHA — O mundo se acostumou a ver Jürgen Klopp como um homem que não se restringe a falar de futebol. E a sua presença no Qatar, naturalmente, trouxe à tona questões como as acusações de violações de direitos humanos dos trabalhadores imigrantes no país. A construção de estádios para a Copa do Mundo, assim como a remodelação de alguns já existentes, foi marcada por mortes de trabalhadores submetidos a condições insalubres. O governo não divulga os números e atribui boa parte das mortes a "causas naturais". Há, ainda, preocupações quanto a restrições impostas a homossexuais, por exemplo.

Klopp disse que, de fato, tem interesse em assuntos que vão além do futebol. Mas preferiu não se envolver numa grande polêmica em sua primeira declaração pública n Qatar.

— Eu tenho opiniões sobre futebol e tenho opiniões sobre temas como este, também. Acho que preciso ter uma voz influente no futebol, e há outras pessoas que devem ser influentes em política. Acho que é um tema realmente importante para se pensar. Gosto de ser perguntado sobre isso, mas acho que sou a pessoa errada a ser consultada. Qualquer coisa que eu disser será apenas para criar outra manchete — disse o técnico do Liverpool.

Mesmo assim, ele terminou dando pistas de sua visão crítica a respeito das violações cometidas no Qatar.

— Fomos muito bem recebidos, a organização é ótima, fomos convidados e estamos aqui, acima de tudo, para representar o Liverpool. Nós nos classificamos e estamos aqui. Quem organiza os torneios, sem dúvida, deve pensar sobre estes temas antes. Atletas não devem ser obrigados a isso. Eu tenho uma opinião pessoal e ela é clara: acho que todas as pessoas devem ser tratadas de uma forma igual — disse Klopp.