Kosovo estabelece relações com Israel e vai abrir embaixada em Jerusalém

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O ministro israelense das Relações Exteriores Gabi Ashkenazi assina documento de normalização das relações diplomáticas com Kosovo

O Kosovo, um território europeu predominantemente muçulmano, normalizou nesta segunda-feira (1) as relações com Israel duranta uma cerimônia virtual e anunciou que abrirá sua embaixada na cidade de Jerusalém.

Essa normalização acontece após acordos, nos últimos meses, entre o Estado judeu e quatro países árabes - Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Sudão e Marrocos - que, no entanto, se recusaram a reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

No âmbito de um intercâmbio de reconhecimento mútuo, Israel reconheceu oficialmente Kosovo, uma ex-província sérvia, que proclamou sua independência em 2008, como um Estado independente.

A maioria dos países ocidentais reconhece Kosovo, ao contrário da Sérvia, Rússia e China.

"Hoje fazemos história, estabelecemos relações diplomáticas entre Israel e Kosovo. É a primeira vez que são estabelecidas relações diplomáticas por Zoom", declarou o ministro israelense das Relações Exteriores Gabi Ashkenazi.

Kosovo reconhece como capital de Israel a cidade de Jerusalém, onde abrirá nos próximos meses uma representação diplomática.

"Nesta manhã recebi sua solicitação para estabelecer sua embaixada em Jerusalém e a aceitei", disse Ashkenazi.

Também apresentou uma placa com a inscrição "embaixada da República de Kosovo em Jerusalém, Israel", que será colocada na porta do futuro estabelecimento.

"Kosovo esperou muito tempo antes de estabelecer relações diplomáticas com Israel. Começamos um novo capítuo nos laços históricos entre nossos dois países, que atravessaram um longo e muito difícil caminho antes de se transformarem em Estados", declarou a ministra kosovar das Relações Exteriores, Meliza Haradinaj-Stublla.

Mas "hoje, Israel se torna o 117o país a reconhecer a República de Kosovo como um país independente e soberano", disse na capital kosovar Pristina, onde o primeiro-ministro Avdullah Hoti aplaudiu o apoio "extraordinário" dos Estados Unidos para esta aproximação.

"Quando nossos sócios estão unidos, Estados Unidos é ainda mais forte", respondeu em Washington o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price.

O acordo foi possível graças ao apoio dos Estados Unidos, que apoiou a luta pela independência do Kosovo, um país que é abertamente pró-Washington.

O ex-presidente Donald Trump havia anunciado em setembro um acordo para que o Estado hebreu fosse reconhecido por Kosovo, assim como a abertura por este de uma embaixada em Jerusalém.

O acordo com Israel também prevê, segundo fontes diplomáticas em Jerusalém, que Kosovo classifique o movimento xiita libanês Hezbollah (tanto seu ramo político como o militar) como uma "organização terrorista".

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