Kremlin aumenta pressão contra seu principal opositor, Navalni

Por Maxime POPOV
(Arquivo) A Rússia classificou a fundação anticorrupção do proeminente crítico do Kremlin Nawalny como um "agente de países estrangeiros". Isso permitirá um monitoramento mais preciso da fundação.

A organização opositora de Alexei Navalni, carismático orador e principal opositor de Vladimir Putin, foi classificada nesta quarta-feira (9) como "agente estrangeiro" - anunciou o Ministério da Justiça.

A medida permite uma maior vigilância por parte do governo.

O militante anticorrupção Alexei Navalni, de 43 anos, é considerado o principal opositor russo ao Kremlin.

Sua organização, o Fundo de Luta contra a Corrupção (FBC), que iniciou várias investigações sobre corrupção e estilo de vida das elites locais, já havia sido alvo de investigação por "lavagem de dinheiro". Em agosto, suas contas foram congeladas pela Justiça.

"Um controle das atividades desta organização não governamental permitiu determinar que desempenha funções de agente estrangeiro", disse hoje o Ministério da Justiça, em um comunicado publicado em sua página institucional on-line.

Navalni reagiu no Twitter. Denunciou uma decisão "ilegal", assegurando que sua instituição não recebeu "nem um único euro de dinheiro estrangeiro".

"Putin teme o FBC, porque se apoia no poder dos ladrões, dos corruptos, e nós estamos lançando luz sobre a corrupção", declarou.

Introduzida por lei em 2012, a classificação de "agente estrangeiro" designa uma organização que recebe financiamento de outro país e tem uma "atividade política".

Os "agentes estrangeiros" são obrigados a se apresentar como tais em toda comunicação, ou atividade pública, estão submetidos a importantes restrições administrativas e financeiras e são alvo de uma maior vigilância.

Desde 2012, dezenas de ONGs foram incluídas nesta categoria, entre elas muitas organizações de defesa dos direitos humanos, associações ambientalistas e fotógrafos amadores.