Kremlin defende 'firmeza' contra manifestantes pró-Navalny

Thibaut MARCHAND
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Agentes da polícia na praça Manezhnaya em Moscou, Rússia

O Kremlin defendeu, nesta quarta-feira (3), sua "firme" resposta policial aos protestos que exigem a libertação do opositor Alexei Navalny, cujo movimento deseja continuar lutando apesar da repressão e da prisão de seu líder.

Um grande movimento de protesto que não se via há anos se espalhou por toda a Rússia desde a prisão de Navalny em meados de janeiro.

O opositor retornava para a Rússia após cinco meses de recuperação na Alemanha, onde se tratava de um envenenamento pelo qual acusa Vladimir Putin.

Julgado por violar seu controle judicial em um caso que data de 2014, na terça-feira sua pena suspensa foi comutada para dois anos e oito meses de prisão efetiva.

Sua prisão provocou grande agitação na Europa e Estados Unidos, e gerou críticas contra a Rússia.

O julgamento provocou imediatamente manifestações no centro de Moscou e São Petersburgo, que culminaram em 1.400 novas detenções e imagens de violência policial.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse à imprensa nesta quarta-feira que a polícia respondeu de forma "justificada" às manifestações ilegais.

Antes dos protestos de terça-feira à noite, houve também dois finais de semana consecutivos de mobilizações com dezenas de milhares de russos nas ruas de todo o país, especialmente em regiões tradicionalmente mais apáticas que as grandes cidades como Moscou e São Petersburgo.

As mobilizações geraram um número recorde de prisões: 4.000 em 23 de janeiro e 5.700 em 31 de janeiro, segundo o OVD-Info, o que significa mais de 10.000 desde o início do movimento.

"As autoridades deram um passo adiante ao encarcerar Navalny. A etapa em que o continham, o controlavam, acabou. Agora podem ter como objetivo a destruição de sua organização", disse Alexander Baunov, do Centro Carnegie de Moscou.

- "Só o começo" -

Apesar da repressão e da prisão de seu carismático líder, os apoiadores do opositor prometeram continuar com o movimento.

"Isso é só o começo", disse no Telegram um dos colegas de Navalny, Leonid Volkov, que vive na Lituânia.

Segundo ele, os partidários da oposição "aumentarão a pressão sobre Putin" e organizarão "novas manifestações pacíficas" e "novas investigações" sobre o presidente russo e sua família.

Além das prisões, o OVD-Info alertou sobre o tratamento direcionado aos manifestantes, enquanto nas redes sociais se multiplicam os depoimentos de pessoas trancadas por horas em vans ou imagens da dura resposta policial, especialmente na noite de terça-feira.

Alguns dos detidos "passaram a noite em condições difíceis", disse à AFP um responsável da ONG, Grigori Durnovo, explicando que alguns dormiram no chão e não puderam ir ao banheiro.

Outra preocupação é que os advogados têm muitas dificuldades para acessar os centros de detenção. "Demonstram claramente que um advogado é considerado um cúmplice do acusado", disse Durnovo.

A condenação de Navalny provocou uma onda de reações internacionais que pedem sua "libertação imediata".

Nesta quarta-feira, o governo alemão afirmou que "não se descarta" novas sanções da União Europeia (UE) contra a Rússia.

"Depois desta sentença, haverá discussões entre sócios da UE, não se descarta o uso de novas sanções", disse o porta-voz do governo, Steffen Seibert.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, planeja visitar Moscou na sexta-feira.

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