Kremlin defende resposta policial às manifestações de Moscou

Por Maria PANINA
Um homem é detido por policiais após manifestação em Moscou no dia 10 de agosto

O Kremlin, que enfrenta há um mês o movimento de protesto mais forte contra o governo dos últimos anos na Rússia, negou nesta terça-feira (13) qualquer "crise política" e defendeu o rigor da polícia, acusada de violência contra os manifestantes.

A cada fim de semana desde meados de julho, milhares de pessoas saem às ruas em Moscou, convocadas pela oposição para denunciar a exclusão de candidatos independentes das eleições locais de 8 de setembro próximo.

Alguns protestos, não autorizados, terminaram com centenas de detenções. Vários líderes opositores, entre eles Alexei Navalny, foram condenados a penas de prisão curtas. Uma investigação foi iniciada por "grandes perturbações da ordem", o que abre caminho para sentenças de vários anos de prisão.

"Não concordamos com os que chamam os acontecimentos de crise política", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, na primeira reação do governo a este movimento sem precedentes desde o retorno do presidente Vladimir Putin ao poder, em 2012.

"Há protestos em muitos países do mundo, em várias capitais europeias. Mas não se pode associar isto a qualquer crise", completou.

Dmitri Peskov defendeu uma distinção entre as "ações autorizadas" daquelas que podem ser consideradas "tentativas de organizar e de arrastar as pessoas para distúrbios públicos".

"Sabem que os dois fenômenos aconteceram recentemente" na capital russa, recordou Peskov.

"Consideramos totalmente inaceitável o uso excessivo da força por parte da polícia, mas consideramos totalmente justificado o rigor das forças de segurança para acabar com a perturbação da ordem pública", completou.

A mais recente, e maior, das manifestações organizadas para pedir eleições livres reuniu quase 60.000 pessoas no sábado em Moscou. E mais de 250 foram detidas ao final do protesto.

As imagens de uma jovem agredida violentamente no estômago por um policial, sem razão aparente, durante a manifestação, provocaram indignação. O incidente levou o Ministério do Interior a anunciar, na segunda-feira (12), a abertura de uma investigação.

A advogada da agredida disse nesta terça, diante de um tribunal, que se deveria julgá-la apenas por infração das regras das manifestações e que a jovem foi vítima de uma concussão cerebral. Também rejeitou as demais acusações.

O Kremlin se concentra em "todos os elementos em que se observa de maneira evidente ações que são objeto de uma investigação". Entre esses eventos, exemplificou Peskov, estão aqueles em que se constata "a desobediência e a agressão contra as forças de segurança".

"Mas apenas o tribunal tem o direito de julgar", completou.

Os protestos em Moscou tiveram início após a rejeição, sob pretextos duvidosos, de quase 60 candidaturas independentes às eleições locais de 8 de setembro. Essa disputa se anuncia como difícil para os candidatos ligados ao poder no atual contexto de insatisfação social.

Entre os manifestantes detidos e condenados a penas de até 30 dias de prisão figuram, além do principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, vários candidatos da oposição vetados pela Justiça para as eleições em Moscou.

"Cada aspirante, cuja candidatura foi rejeitada, tem o direito de apelar à Justiça", declarou Peskov.