Kuczynski denuncia "golpe de Estado" parlamentar no Peru caso seja destituído

Presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, em 11 de março de 2018 em Valparaíso, Chile

O presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, disse que o Peru sofrerá "um golpe de Estado" se o Congresso, dominado pela oposição, o destitua na semana que vem. Ele é acusado de mentir sobre seus vículos com a construtora Odebrecht.

"Absolutamente, isso seria um golpe de Estado. Eu não acredito que vá acontecer, mas seria um golpe de Estado", disse o presidente em uma entrevista ao jornal popular Trome - o de maior circulação no Peru - publicada neste domingo.

Kuczynski descartou ser "um incapaz moral", como argumenta a moção de impeachment apresentada pela oposição no Congresso, que a discutirá e votará na próxima quinta-feira, 22 de março.

Também negou ter cometido atos ilegais com a Odebrecht, por meio de suas empresas financeiras nos anos em que se dedicava ao setor privado.

Kuczynski enfrenta o segundo pedido de destituição em três meses, depois de sobreviver em dezembro passado a uma votação similar no Congresso.

"A incapacidade moral à qual a Constituição peruana se refere é a capacidade mental, é o caso de alguém fique com Alzheimer ou algo assim", disse Kuczynski.

"É totalmente inaplicável ao meu caso, pode-se ser destituído por não convocar eleições, por sair do país sem permissão, coisas muito pontuais que não se aplicam (ao meu caso)", explicou o presidente.

Kuczynski, que assumiu a presidência em 2016, cumprirá seu mandato de cinco anos em julho de 2021.