Látex de Kim Kardashian, ombros alegóricos e botas de cano alto: confira tudo que rolou na semana de moda francesa

Marina Caruso, de Paris

Foi uma fashion week atípica. Nada de beijos no rosto ou apertos de mão. Na última semana de moda de Paris, que acabou quarta-feira passada, o medo da contaminação por coronavírus era tanto que instaurou-se o corona kiss, beijinho jogado de longe. Marcas globais cancelaram a vinda de altos executivos à Europa e desmarcaram as visitas a showrooms e chegaram a desconvidar jornalistas às vésperas dos desfiles, alegando que o evento precisava diminuir de tamanho para “impedir a proliferação do vírus“.

Mas a principal mudança na semana de moda parisiense vai muito além do Covid-19. Virginie Viard, diretora criativa da Chanel, fez seu melhor desfile desde que assumiu o posto, há um ano, após a morte de Karl Lagerfeld — e, quiçá, da última década da tradicional maison francesa. Conferiu uma sensualidade antes inimaginável à cliente da grife, sempre tão recatada em seus tailleurs de tweed. A mulher de Miuccia Prada para a Miu Miu também evoluiu. Continua divertida e descolada como seu DNA, mas está mais sexy, empoderada e sem medo de mostrar o corpo. Antes tarde do que jamais.

É puro látex

Mal terminou o desfile da Balmain e imagens de Kim Kardashian em full looks de látex já pipocavam nas redes sociais. Amiga íntima de Olivier Rousteing, estilista da grife, Kim desfilou por Paris com três cores do modelito: doce de leite, chocolate e rosa antigo. Balenciaga, Saint Laurent e Lacoste também apostaram na tendência, porém de forma mais discreta. A grife do jacaré mandou bem no mix de peças esportivas com jaquetões de látex.

O cano subiu

Balmain, Hermès, Valentino, Saint Laurent, Isabel Marant e Elie Saab subiram os canos das botas. Alguns eram tão vertiginosos que, mesmo sob vestidos míni, pareciam meias-calças. Marant investiu em versões meio plissadas, bem anos 1980, Saab coordenou o calçado com os tecidos de seus microshorts, e a Hermès, comme d’habitude, deu um show de elegância com versões clean da bota de montaria.

De braços cobertos

De tão longas, as luvas que Givenchy, Valentino, Balmain e Lanvin levaram às passarelas poderiam ter sido extraídas da alta-costura e dos red carpets. A diferença é que as versões prêt-à-porter do acessório são todas em couro e, vez ou outra, meio plissadinhas, como as da Givenchy (ao lado, no detalhe). No desfile de Pierpaolo Piccioli para Valentino, as luvas apareceram em mais de metade dos looks, ora com perfume fetichista, ora à la bonequinha de luxo.

Pele à mostra

Se no Hemisfério Norte o inverno é tão rigoroso quanto as calefações de ambientes fechados e, no Hemisfério Sul, ele se confunde com o verão, coleções com pele à mostra fazem todo sentido. E a mais bela delas da temporada 2020 foi, sem dúvida, a apresentada por Virginie Viard na Chanel. Inspirada no amor livre do filme “As corças”, da Nouvelle Vague, a discípula de Karl Lagerfeld apostou em uma nova cliente: mais feminina, sexy e ousada que a senhorinha dos tailleurs de tweed.

Haja ombros

Quando você começa a aceitar que as ombreiras “oitenteiras” estão de volta, Isabel Marant, Balenciaga, Rick Owens e Alexander McQueen decidem ampliar a extravagância fashion apostando em mangas e ombros ainda mais alegóricos. Pontudas, triangulares, bufantes ou emendadas em babados, as ombreiras do próximo inverno serão tudo, menos discretas.

Novo 70’s

Existe um espírito “bourgeois” que vem dominando as coleções já há duas temporadas. Mas a belle de jour do inverno 2021 promete ser um pouco mais rocker, com mais atitude, a ponto de usar coturnos pesadões com vestidos delicados e femininos. A mistura apareceu não só nas passarelas da Chloé e da Dior (ao lado), como também nas da Valentino e de Giambattista Valli.