Lázaro Ramos conta episódio com Penélope Cruz no início da carreira: 'Muito bonita, mas não tão simpática'

Leonardo Ferreira

Quem vê hoje Lázaro Ramos como um ator consagrado, escritor, diretor e apresentador,  pode não imaginar as incertezas enfrentadas por ele no início de sua trajetória profissional. Mesmo depois de ter protagonizado filmes importantes, como "Madame Satã" e "O homem que copiava", Lázaro demorou a acreditar que poderia, como se diz, ganhar a vida como artista. Numa conversa franca com o roteirista Gustavo Gontijo, no canal Gabinete Digital de Leitura, no YouTube, ele lembrou esse começo:

"Demorei muito para ter essa certeza de que eu viveria da profissão de ator. Essa certeza só veio em 2008, quando eu já estava casado com Taís (Araújo). Eu já morava no Rio e pensava: ' na hora em que tudo der errado,  eu volto para o hospital'.  Até 2007, eu achava que tudo ia dar errado. Eu já tinha feito "Madame Satã", "O homem que copiava", já tinha feito "Carandiru". Até 2006 eu morava dividindo apartamento ou nos hotéis das produções dos filmes", lembra o ator, que chegou a trabalhar em Salvador como técnico de laboratório de  um hospital antes de ficar famoso.

 

O pessimismo de Lázaro Ramos, segundo ele, explica-se por suas primeiras experiências cinematográficas, sem muito êxito. Na primeira delas, no filme "Jenipapo", de 1995, dirigido por Monique Gardenberg, uma saia justa com Marília Pêra, com quem ele viria trabalhar depois nas novelas "Cobras e lagartos" e "Duas caras":  "Eu tinha 15 anos, era uma criança perturbada. Ficava ali, era praticamente um figurante. Eu ficava atrás dela o tempo todo. Achava Marília muito interessante e  ficava  perguntando tudo. Teve um dia que ela estava chupando um picolé de limão e eu pedi um pedaço. 'Criança nojenta', reagiu ela. Deu um problema. A produção me tirou das cenas. O outro é um clássico, que é o "Cinderela  baiana", protagonizado por Carla Perez".

Para completar a tríade, o fiasco internacional "Sabor da paixão", rodado na capital baiana: "Era protagonizado pelo meu amigo Murilo Benício e pela Penélope Cruz (atriz espanhola), muito bonita, mas não tão simpática, a verdade é essa, infelizmente. Teve um dia em que ela estava almoçando sozinha numa mesa, fiz meu prato e sentei na frente dela. Na hora em que eu sentei, ela olhou para mim, jogou o garfo, levantou e foi embora sem dizer nada. Esses foram meus três primeiros filmes, como você acha que eu ia creditar que iria para algum lugar no cinema?".

 

Obstáculos vencidos, hoje respeitadíssimo no meio, Lázaro Ramos projeta o futuro pós-pandemia. Entre tantos planos, ele pretende dirigir dois textos que o  autor, diretor e amigo Jorge Furtado escreve para o teatro. Um deles protagonizado por Drica Moraes e a mulher do ator, Taís Araújo. Já a 16ª e comemorativa temporada do programa "Espelho", apresentado por ele no Canal Brasil, já estava em pré-produção quando o coronavírus surgiu para assustar o mundo. Mas o baiano não deixa de sonhar. Alto.

"Seria uma temporada comemorativa que a gente ia fazer toda no exterior. Já tínhamos conseguido gente bem legal. Os convites estão aí, se a gente conseguir viajar para fazer. Será em parceria com o 'Fantástico', já adiantando aqui", diz o ator, para logo em seguida ser interrompido  pelo entrevistador: "Você não me falou isso, mas eu estou torcendo, e é um desejo meu: Obama!". "Você está atirando certo, mas se eu disser que nossa ambição é que sejam os dois (Barack e Michelle Obama). Mas esses aí ainda não responderam, não. Estamos esperando, na expectativa", responde Lázaro.