Lázaro Ramos detalha criação de novo filme, lembra fim de ano de exaustão e fala da renovação do casamento com Taís Araujo

Lázaro Ramos deu entrevista por telefone de dentro do carro, enquanto voltava da Bahia, seu estado natal. Ele vinha para o Rio de Janeiro, onde mora, dar continuidade aos trabalhos que têm seu nome como um dos cabeças. Em "Antes do ano que vem", peça com Mariana Xavier que estreou no Rio no fim de semana, ele trabalha como diretor. A mesma função o artista de 44 anos ocupa em "O Método Grönholm", também em cartaz na cidade, no Copacabana Palace, na Zona Sul. Além dos espetáculos que estão sendo apresentados no Rio, ele começará as salas de roteiro de seus dois novos filmes (um deles sobre os Camisas Negras do Vasco) e já gravou a continuação de "Ó paí, ó", em Salvador. A lançar, ainda tem um filme musical com Gabz, Lucas Leto e Iza no elenco. E o gancho desta conversa é o "Feliz ano novo de novo", filme de comédia que estrela com Ingrid Guimarães e que estreou no Prime Video da Amazon.

— A agenda virou uma loucura. Tenho me policiado muito em relação a isso para manter a saúde também. A rotina virou outra: são muitas demandas, fazemos muitas coisas ao mesmo tempo. Uma das minhas metas para 2023 é conseguir frear um pouco o que precisa ser freado. E me disciplinar para saber que horas é preciso parar de trabalhar porque, no fim do ano, a saúde deu aquela reclamadinha. Não sei se é porque eu estava sem me dar limites, sem respeitar meu corpo. Continuo estimulado, feliz, trabalhando pra caramba, mas tenho como meta deste ano cuidar um pouco da saúde — frisa o baiano, que conta o que teve. — No fim do ano, eu estava muito cansado. Sabe quando você acorda assim? Você sabe que seu raciocínio fica um pouco lento porque você está respondendo e-mail até meia-noite. Isso não pode, né? Então, eu estava naquela: estressadinho, o corpo pedindo descanso mais do que deveria. Aí fui para a Bahia e me lembrei de tudo o que minha terra oferece. Momentos de descanso. Fiquei muito na casa do meu pai. Tem uma rocinha onde ele mora. Ficamos ali comendo caranguejo, batendo papo...

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Com a mesma leveza de sua resolução de réveillon, o baiano brinca com o fato de o novo filme do Prime Video apresentar frases tão atuais que já podem servir para análises de realities como o "BBB". Na internet, foram inúmeros os pedidos para que os participantes do programa da Globo não cometessem discriminação nem priorizassem a militância, para que o telespectador brasileiro possa "apenas curtir entretenimento". "Por favor, não vamos voltar com essas perguntas de 'é negro ou é preto'", pediram os internautas. Questionado sobre a torcida para que se pule esta etapa de discussão, o humorista responde:"Feliz ano novo de novo"

— Estou torcendo para que a gente possa pular várias etapas (risos). Aliás, há anos eu venho torcendo por isso. Desde que comecei a fazer teatro lá em Salvador. Mas os assuntos continuam existindo. E aí a gente usa a arte para tentar facilitar essa conversa, né? Enquanto ela estiver por aí, a gente vai buscando estratégias. Esse filme especial é uma delas. De "Lado a lado" (novela de 2012 da TV Globo) a "Mister Brau" (humorístico que ficou no ar na emissora de 2015 a 2018) já rolou de tudo. Agora estamos chegando com "Feliz ano novo de novo", trazendo uma maneira de aproximar as pessoas do assunto. Acho que a ideia é sempre essa: enquanto os problemas existirem, a gente não pode evitar falar. E tem que buscar maneiras para falar com o ouvido que tiver no nosso tempo.

Sorrir em tempos difíceis é um antídoto desde os tempos idos. E para seguir a receita que prescreve que rir é o melhor remédio, é preciso disciplina:

— "Feliz ano novo de novo" é um estímulo para a gente pensar melhores práticas e ter um ano mais leve, uma vida mais leve, né? Acho que exatamente não optamos por fazer um especial de fim de ano, e sim um especial de ano novo. Para, através da comédia, a gente aliviar as tensões e conseguir seguir. A ideia foi essa. Tínhamos ficado um pouquinho na dúvida se faríamos especial de fim de ano, retrospectiva... Aí a gente entendeu que este formato traz essa possibilidade.

Com 34 anos de carreira, Ramos tem um contrato raro com a empresa de Jeff Bezos. Na Amazon, ele é showrunner, garoto-propaganda de comerciais da marca, cumpre demandas que não são de sua autoria e tem abertura para emplacar inúmeros projetos próprios:

— Esse especial de humor foi uma proposta da própria Amazon porque tem um tempo grande de desenvolvimento de projeto. E a empresa queria apresentar alguma coisa com a gente. Viram que era uma data bacana, fim de ano... E, quando a gente papeou, nós, da equipe de roteiristas, o Pedro Antonio, diretor, e a turma que escreve falamos: "Todo mundo oferece um produto que é de fim de ano". São as retrospectivas, especiais de comédia de fim de ano... Vamos fazer um de começo de ano falando de assuntos que estavam na boca das pessoas durante o ano de 22 e entregando no de 2023 aqueles mesmos assuntos, talvez com uma outra perspectiva. E o "Feliz ano novo de novo" foi muito feito em cima de bate-papo. Tem uma galera muito legal que fez trabalhos até na frente das câmeras. Tem Livia La Gatto, o Adalberto Neto, Pedro Antonio, que fez o "Lady night" e vários filmes. Tem eu e Ingrid Guimarães.

O ator lembra que um pedido especial da amiga Ingrid mexeu com ele:

— A gente pensou no que as pessoas podiam se identificar. É tudo autoral e todo mundo muito da comédia. Esse é o ponto de vista. E esse especial é uma homenagem a vários gêneros de comédia: a mais escrachada, a familiar... Ele brinda Ingrid, uma atriz e comediante que admiro e que, durante muito tempo, me estimulou a fazer comédia. Ela dizia: "Lazinho, eu adoro você nos filmes de drama e tal, só que amo também quando você faz comédia. Vem comigo?".

Reverenciado pelos amigos, Lázaro Ramos volta e meia também prestigia os seus. Taís Araujo, companheira há mais de 18 anos, foi citada por ele num episódio do "Papo de segunda", do GNT. No depoimento, o ator disse que costuma renovar os acordos com a mulher: houve fases em que a fofoca edificava; outras em que o humor estava mais presente... Declarações de amor são constantes nas redes sociais, seja em datas comemorativas ou em dias comuns. Fora de seu ciclo, o casal virou até tema de um rap. A música, da cantora Heloi$a, chama-se "Taís Araujo e Lázaro Ramos" e é um exemplo de como o par virou referência para jovens, sobretudo os que vivem relações afrocentradas:

— A nossa responsabilidade primeira é um com o outro. Não tem a ver com o mundo, não. Acho lindo as pessoas usarem a gente como um casal de referência, fazer música, admirar... Só que precisa fazer sentido, primeiro, para a gente. Cuidamos muito disso: da nossa vida íntima, dos nossos prazeres, do nosso respeito um com o outro. E se isso daí acabar inspirando coisas positivas em alguém, está tudo certo, tudo legal. Mas o princípio é nosso mundo íntimo mesmo. A nossa vidinha de casal.