Lédio Carmona: Roberto Dinamite, meu super-herói, vá em paz

Roberto Dinamite é o maior ídolo da história do Vasco. Roberto Dinamite é o maior ídolo da minha vida.

Nunca tinha visto um jogo de futebol na vida. Ignorava. Até que, num domingo qualquer de 1974, vejo meu pai dar tchau e rumar para algum lugar.

Tinha apenas 9 anos. Achei estranho e perguntei para minha mãe. “Onde ele vai?”

Meu pai raramente saía de casa num domingo. A grana era curtíssima.

“Ele foi ao jogo do Vasco”, respondeu minha mãe.

Resposta vaga. Fui no meu avô. E estabeleceu-se o diálogo que inseriu Roberto Dinamite na minha vida, me tornou jornalista esportivo, amante do futebol e vascaíno.

“Ele foi ao Maracanã ver Vasco x Santos”, disse meu avô.

“Mas é importante? Ele nunca vai…”, retruquei.

“Sim. Ele vai ver Pelé contra Roberto Dinamite”, devolveu o velho Lourenço.

“Roberto é o bom do Vasco?”, perguntei, meio sem graça com minha ignorância?”

“Andrada, Zanata são bons. Roberto é o melhor”.

Roberto virou o fio condutor de minha entrada no futebol. Um domingo qualquer de 1974 mudou minha história. O Vasco venceu por 2 x 1. Dois gols de Roberto. Um de Pelé, de falta, o último do Rei no Maracanã.

Nesse dia, o futebol entrou no meu radar para nunca mais sair. Consumia tudo. Vivia colado ao rádio e, com 11, 12 anos, já sabia que seria jornalista esportivo. E, ao mesmo tempo, o elo da família com o Vasco e com Roberto só se estreitava. Minha avó, morta em 2006, gostava tanto do Roberto que ganhou apelido de “Bob”.

A relação com Roberto me trouxe outras certezas.

Tinha absoluta segurança que tremeria quando o entrevistasse pela primeira vez. E assim aconteceu, em 1986.

Sabia que meu primeiro filho se chamaria Roberto. E assim aconteceu, em 2008.

E tinha absoluta convicção de que o dia da sua morte seria um dos mais difíceis da minha vida. E está sendo. Muito difícil.

Não há uma homenagem para Roberto Dinamite. Ele precisa ser homenageado sempre. Lembrado sempre. Amado sempre.

A história de Roberto se mistura com a da minha família. Dói muito.

Eu lembro do avô. Eu lembro do Bob.

Eu lembro da avó. Eu lembro do Bob.

Eu lembro do pai. Eu lembro do Bob.

Eu lembro do filho. Eu lembro do Bob.

Meu super-herói, vá em paz. A família te aguarda lá em cima. Descanse.