Líbano enfrenta a pior crise da sua história

O Líbano atravessa uma das piores crises da sua história.

A inflação atingiu os 158%, uma das mais elevadas do mundo, e a dívida pública, no ano passado, rondou os 180%.

Desde 2019, a libra libanesa perdeu mais de 90% do seu valor. E desde essa altura, os libaneses estão proibidos de retirar as suas poupanças dos bancos.

Muitos, como Sally Hafez, são obrigados a cometer atos desesperados. "Chega-se a um ponto em que já não se tem medo", diz a jovem.

Para pagar o tratamento da irmã, que foi diagnosticada com um tumor cerebral, Hafez entrou no banco, com uma arma falsa, e obrigou-os a entregarem-lhe as suas poupanças, pouco mais de 12 mil euros.

Dois dias depois, 11 outros libaneses fizeram a mesma coisa.

Sally Hafez conta que "o que fiz, foi considerado como um ato corajoso e heroico, mas para mim não é uma coisa heroica. Tirei o que me pertence. No nosso país, retirarmos o que nos pertence, é considerado heroísmo".

Nos bancos, os funcionários têm de lidar com a situação. O sindicalista George al-Hajj conta que "a maioria do povo libanês perdeu as suas poupanças. Pode resolver-se a situação de 20, 50 depositantes, mas há milhares. Como podemos resolver esta questão?", questiona.

Hoje, só é possível entrar nos bancos mediante marcação com o gestor de conta.

Com cerca de 6,7 milhões de habitantes, as Nações Unidas estimam que, desde 2019, cerca de 87% da população do Líbano tenha sido empurrada para a pobreza.