Líbano: Hezbollah perde maioria no Parlamento e Forças Libanesas convidam independentes a se unir

A maior coligação política parlamentar do Líbano, liderada pelo Hezbollah, perdeu sua maioria no Parlamento libanês. O movimento xiita pró-Irã e seus aliados políticos do Amal, que detinham o apoio de cerca de 70 dos 128 membros dos deputados eleitos em 2018, não conseguiram conquistar os 65 assentos necessários para manter a maioria após as eleições parlamentares do domingo (15).

Márcia Bechara, enviada especial da RFI ao Líbano

A tão desejada mudança parece enfim dar o ar da graça no Líbano, depois das eleições legislativas deste domingo (15), com um dólar que bateu hoje a incrível marca de 30.000 libras libanesas no país. Começam a sair nesta terça-feira (17) os primeiros resultados oficiais divulgados pelo ministério libanês do Interior e pelas autoridades eleitorais do país. E as novidades são boas para quem queria a esperada "mudança", a palavra de ordem dos libaneses para este pleito de 2022.

Além do impacto causado pela perda da maioria parlamentar da polêmica milícia armada do Hezbollah, o novo Parlamento libanês terá agora um novo partido cristão dominante — as Forças Libanesas (FL), tradicional formação que data da guerra civil e que se tornou uma espécie de porta-bandeira anti-Hezbollah nestas eleições legislativas. A aposta deu certo, e as FL levaram o maior número de assentos nesta eleição, com 19 deputados.

Ouro resultado emblemático, o líder do Partido Democrático Libanês (LDP), próximo a Damasco e Teerã, o chefe druso Talal Arslane, herdeiro de uma das mais antigas dinastias políticas libanesas, perdeu sua cadeira no Parlamento libanês para um candidato sem ligação com movimentos políticos e sem experiência.

Participação feminina bate recorde, embora pequena


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