Líbia: forças anti-Haftar contra-atacam perto da capital, Trípoli

Forças leais ao GNA, em 18 de abril de 2019, depois de assumir o controle de al-Aziziyah, 40 km ao sul de Trípoli

As forças leais ao Governo de União Nacional (GNA), instalado em Trípoli, anunciaram neste sábado (20) o início de uma ofensiva contra seus rivais realizada pelo marechal Khalifa Haftar, ao sul da capital líbia, onde os combates se intensificaram.

"Começamos a fase de ataque. Ordens foram dadas, desde cedo, para avançar e ganhar terreno", declarou à AFP Moustafa al-Mejii, um porta-voz da operação militar do GNA.

De vários bairros da capital era possível ouvir os disparos intensos de foguetes e obuses, após vários dias de combates que não permitiram a nenhum dos dois lados avançar.

"Nossas forças lançaram grandes operações ofensivas", sobretudo, nas frentes de Wadi Rabi, Al Sawani e Ain Zara, na periferia sul da capital, afirmou o porta-voz Rida Issa.

O coronel Mohamad Gnunu, das forças do GNA, anunciou que "dará um balanço ao fim do dia".

Gnunu afirmou que foram lançados sete ataques aéreos contra as posições do Exército Nacional Líbio (ENL) de Haftar, em particular ao sul de Gharian, assim como contra a base área de Al Wotya.

Já o ENL disse que estava "assumindo o controle de várias posições novas na frente de batalha em Trípoli".

"Nossas forças estão avançando à medida que as milícias do GNA se retiram de todas as frentes", declarou em sua página oficial do Facebook.

"Chegaram reforços para as frentes - brigadas militares, batalhões do Exército - para (ganhar) a batalha o quanto antes", acrescentou o ENL.

Desde o início de sua ofensiva em 4 de abril, as forças de Haftar estão paradas ao sul da capital, apesar do anúncio de avanços diários.

Os combates deixaram pelo menos 213 mortos e mais de mil feridos em duas semanas, segundo o mais recente balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Na sexta-feira, a Casa Branca anunciou um telefonema na segunda entre o presidente Donald Trump e o marechal Haftar sobre uma "visão comum para a transição da Líbia para um sistema político democrático e estável".

Os dois discutiram "a necessidade de alcançar a paz e a estabilidade", enquanto Trump "reconheceu o papel significativo do marechal Haftar na luta contra o terrorismo e na defesa dos recursos petrolíferos líbios".

"Vencemos a batalha política e convencemos o mundo de que as forças armadas (do ENL) combatem o terrorismo", comemorou neste sábado à noite o porta-voz do ENL, Ahmad al Mesmari.

Mesmari falou de "combates muitos violentos" em várias frentes e afirmou que o "inimigo recebeu reforços dos terroristas da Al-Qaeda e do (grupo jihadista) Estado Islâmico e de mercenários estrangeiros".

Ele, porém, reconheceu a perda de algumas posições, em espcial em Ain Zara, na periferia de Trípoli.