Líbios divididos entre a esperança e o ceticismo diante do cessar-fogo no país

Rim Taher, con Paul Raymond en Túnez
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Carros em Benghazi, Líbia em 23 de outubro de 2020
Carros em Benghazi, Líbia em 23 de outubro de 2020

Os líbios reagiram com uma mescla de esperança e ceticismo após o fechamento de um acordo nacional de cessar-fogo, destinado a abrir um caminho para uma solução política ao conflito que sufoca o país há muitos anos.

Enquanto os observadores celebravam o acordo supervisionado pela ONU, poucos se deixam iludir pelas dificuldades de uma execução duradoura na região.

Hassan Mahmud al-Obeidi, professor de 40 anos em um instituto de Bengasi (leste), não está "muito otimista". Teme que o acordo, igual aos anteriores, seja difícil de aplicar e duvida da saída das potências estrangeiras no país.

Envolvida em um caos desde a queda do regime de Muamar Gadafi em 2011, a Líbia está dividida entre dois poderes: o Governo do Acordo Nacional (GNA), reconhecido pela ONU e com sede em Trípoli (oeste), e as autoridade aliadas ao marechal, Jalifa Haftar, no leste.

O marechal Haftar recebe apoio militar do Egito, Rússia e Emirados Árabes Unidos, enquanto o GNA de Fayez al-Sarraj é apoiado pela Turquia.

Na sexta-feira, as delegações militares de ambas as partes firmaram um acordo em Genebra de um cessar-fogo permanente com "efeito imediato", depois de cinco dias de negociações.

Ambas as partes acordaram que "todas as unidades militares e os grupos armados na linha de frente devem retornar a seus campos", anunciou Stephanie Williams, chefe da delegação responsável pela Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (Manul), após o acordo.

O acordo será "acompanhado da saída de todos os mercenários e combatentes estrangeiros" na Líbia, afirmou.

- "Preparados para responder" -

As duas partes rivais haviam anunciado em agosto um cessar-fogo em suas hostilidades. Nas últimas semanas, as negociações se aceleraram para definir as condições de uma trégua duradoura.

O marechal Haftar tentou, sem sucesso, conquistar militarmente Trípoli entre abril de 2019 e junho de 2020. Os combates causaram centenas de mortes e obrigaram a fuga de dezenas de milhares de pessoas.

"Espero que [Haftar] não nos force a voltar a guerra [...] mas estamos preparados para responder em caso de violação" do cessar-fogo, alertou Salim Gatouch, membro da Brigada Móvel das Forças Armadas da GNA.

Entretanto, os sinais de apaziguamento são tangíveis. As duas partes no conflito acordaram nesta semana em reabrir suas principais rotas terrestres e as conexões aéreas internas.

"A guerra provocou uma grave recessão econômica. Temos sofrido importantes perdas com a suspensão de intercâmbios comerciais entre o leste e o oeste", lamentou Massud al-Fotmani, comerciante em Bengasi.

rb-par/vg/bc/eg/gf/aa