Líder curdo Demirtas termina greve de fome na Turquia

Mulher curda segura foto do líder Selahattin Demirtas durante protesto em Atenas

O líder do principal partido pró-curdo da Turquia, Selahattin Demirtas, anunciou nesta sexta-feira à noite que terminava sua greve de fome iniciada para protestar contra as condições de prisão desumanas, após iniciar um diálogo com a administração penitenciária.

Selahattin Demirtas, copresidente do Partido Democrático dos Povos (HDP), preso desde novembro, anunciou na quinta-feira que começaria uma greve de fome para denunciar as "práticas ilegais e desumanas" na prisão de Edirne.

Outros detidos curdos começaram uma greve de fome em 25 de fevereiro. Eles também decidiram terminá-la nesta sexta-feira após o início de um diálogo com a direção, que falou de várias "promessas" para resolver os problemas existentes, segundo um comunicado divulgado pelo HDP e assinado pelos "presos políticos" de Edirne.

Demirtas "comemorou" nesta sexta em um comunicado separado que esta operação terminou com "compromissos mútuos e bem intencionados".

Além dos de Edirne, vários presos curdos também estão em greve de fome nas prisões de Izmir, Ancara e Van como protesto por suas condições de detenção.

Segundo o HDP, uma centena de "presos políticos" estavam em greve de fome nesta sexta, alguns deles em estado "crítico".

Demirtas pediu à Direção Penitenciária e ao ministro da Justiça que dialoguem com as prisões onde são realizadas estas greves de fome.

O carismático chefe das fileiras do HDP é alvo de dezenas de processos judiciais e enfrenta 142 anos de prisão, dentro de um processo em que é acusado de "dirigir uma organização terrorista" e de fazer "propaganda terrorista".

As autoridades turcas acusam o HDP de ser o braço político dos separatistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), organização classificada como "terrorista" por Ancara, Washington e Bruxelas.

O segundo partido de oposição da Turquia foi alvo dos duros expurgos que se seguiram ao fracassado golpe de Estado em julho, com vários de seus deputados atualmente presos, entre eles Demirtas e sua copresidente, Figen Yuksekdag.

As detenções despertaram a preocupação dos países europeus e de ONGS, que acusam o presidente turco Recep Tayyip Erdogan de querer abafar as vozes opositoras.