Líder da Al-Qaeda na Península Arábica detido no Iêmen

Frankie TAGGART
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Imagem de Khaled Batarfi retirada de vídeo divulgada em 16 de junho de 2015 pela Al Malahem Media, o veículo de propaganda da AQPA

O líder do grupo Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA) foi detido em outubro no Iêmen, onde fica a sede do movimento considerado particularmente perigoso pelos Estados Unidos, de acordo com um relatório divulgado pela ONU.

O texto, enviado ao Conselho de Segurança por uma equipe de monitoramento da ONU, afirma que Khaled Batarfi, que assumiu a liderança da AQPA há um ano, "foi detido em outubro durante uma operação em Gaydah (na província iemenita de Mahrah), na qual morreu o número dois do grupo, Saad Atef el Aulaqi".

O documento não revela qual força capturou Batarfi nem o que aconteceu com ele depois.

Esta é a primeira confirmação oficial da detenção, que havia sido mencionada diversas vezes nos últimos meses. De acordo com informações divulgadas em outubro pelo SITE Intelligence Group e obtida em sites de "informações não confirmadas", a captura foi executada por forças de segurança iemenitas.

Batarfi, que teria por volta de 40 anos, assumiu a liderança da AQPA em fevereiro de 2020 após a morte do líder anterior do grupo, Qasem al Rimi, em um ataque aéreo americano no Iêmen.

O governo dos Estados Unidos considera que a AQPA, criada em 2009, é o braço mais perigoso da rede extremista.

O grupo se beneficiou do caos gerado pela guerra em curso desde 2014 no Iêmen entre rebeldes e o governo para reforçar sua presença no sul e sudeste do país.

E nos últimos anos, os ataques da AQPA no país foram direcionadas tanto contra os rebeldes huthis como contra as forças governamentais.

A AQPA também reivindicou ataques nos Estados Unidos e na Europa, especialmente o atentado contra a redação da revista satírica francesa Charlie Hebdo em 2015, que deixou 12 mortos, e um tiroteio que provocou três mortes em uma base aeronaval da Flórida em 2019.

Washington intensificou os ataques contra a AQPA a partir de 2017 e, segundo analistas, o grupo perdeu parte de sua influência.

"Além das perdas sofridas em sua liderança, a AQPA registrou uma erosão em suas fileiras, com dissensões e deserções, protagonizadas principalmente por um dos ex-assessores de Batarfi", afirma o relatório da ONU.

O texto, no entanto, alerta para a "constante ameaça" que a AQPA continua representando para o Iêmen.

E menciona um "ataque importante" que deixou vários mortos em Lodar, na província de Abiyan, "apesar da relativa calma após a captura de Batarfi".

O presidente americano, Joe Biden, anunciou na quinta-feira o fim do apoio à venda de armas à coalizão militar liderada pela Arábia Saudita no Iêmen, que lidera há vários anos as operações contra os rebeldes huthis.

Dezenas de milhares de pessoas, principalmente civis, morreram e milhões foram deslocadas pela guerra, que segundo a ONU provocou a catástrofe humanitária mais grave do mundo.

O conselheiro de Segurança Nacional de Biden afirmou que o exército americano continuaria as operações contra alvos da AQPA no Iêmen.

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