Líder da extrema direita francesa em julgamento por tuitar fotos violentas do EI

María Elena BUCHELI
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Marine Le Pen é acusada pela divulgação de mensagens violentas que podem prejudicar a dignidade humana e ser vistas por menores

A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, é julgada nesta quarta-feira (10) por ter publicado no Twitter fotos de execuções realizadas pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), um caso que ela denuncia como uma violação à liberdade de expressão.

Candidata que chegou ao segundo turno nas eleições presidenciais de 2017, Marine Le Pen é acusada pela divulgação de mensagens violentas que podem prejudicar a dignidade humana e serem vistas por menores, o que pode levar a uma pena de até três anos de prisão e uma multa de 75.000 euros (90.000 dólares).

Le Pen considera que é vítima de um "julgamento político". "Os meios de comunicação as publicam (as imagens), os editorialistas as publicam, os jornais as publicam e nunca ninguém foi a julgamento por isto", afirmou em sua chegada ao tribunal de Nanterre, subúrbio de París.

"Marine Le Pen não tinha a intenção, nem sequer consciência, de colocar algum menor em perigo. Respondeu a um ataque, uma provocação, por parte de um jornalista", disse à AFP seu advogado David Dassa-Le Deist.

O advogado acusou os promotores de "discriminação" e de "distorção do espírito e da letra de uma lei extremamente importante, que foi criada para proteger a integridade moral de menores contra pessoas perigosas ou perversas, para minar a liberdade de expressão" de Le Pen.

Le Pen divulgou várias fotografias de execuções cometidas pelo EI em dezembro de 2015, algumas semanas depois de os jihadistas, que se reivindicavam desse mesmo grupo, matarem 130 pessoas nos atentados de Paris.

Ela fez a publicação em resposta a um jornalista que havia comparado seu partido (Frente Nacional, agora nomeado Agrupamento Nacional) com o grupo extremista.

"Isso é o EI!", escreveu Le Pen em um tuíte acompanhado de imagens de algumas das atrocidades cometidas pelos jihadistas, como a de um soldado sírio esmagado vivo por um tanque ou a de um piloto jordano queimado vivo dentro de uma gaiola.

Ela também publicou a foto do corpo decapitado do jornalista americano James Foley, com a cabeça colocada sobre as costas, antes de retirá-la a pedido da família do repórter. A publicação dessas imagens provocou uma condenação generalizada no país.

A seu lado no banco dos réus está o eurodeputado Gilbert Collard, membro do mesmo partido e que publicou mensagens semelhantes.

O julgamento deveria ter acontecido inicialmente em 2019, mas foi adiado duas vezes devido à pandemia de covid-19.

Este julgamento se une a outros problemas jurídicos de Le Pen, que já enfrenta denúncias de que ela e outros funcionários do partido gastaram indevidamente milhões de euros em fundos públicos para pagar seus assistentes enquanto serviam no Parlamento Europeu.

Os investigadores calculam que quase sete milhões de euros foram desviados do Parlamento Europeu entre 2009 e 2017. Ainda não foi estabelecida a data do eventual julgamento.

Marine Le Pen, 52 anos, é filha de Jean-Marie Le Pen, cofundador do partido francês de extrema direita.

Desde que assumiu o controle do principal partido de extrema direita da França em 2011, a candidata anti-imigração e anti-europeia concorreu duas vezes à presidência (2012 e 2017). As últimas pesquisas mostram que ela está mais perto do que nunca do Palácio do Eliseu para as presidenciais de 2022.

Se o primeiro turno fosse hoje, Le Pen teria o maior número de votos, com entre 25% a 26,5% dos votos, à frente do presidente Emmanuel Macron (centro-direita), que receberia entre 24% a 27%, de acordo com uma pesquisa do instituto Ipsos Sopra-Steria.

Macron, no entanto, venceria o segundo turno com 56% dos votos.

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