Líder da junta militar de Mianmar irá à cúpula da ASEAN

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Líder da junta militar no poder em Mianmar, general Min Aung Hlaing, em 3 fev. 2021

O líder da junta militar no poder em Mianmar assistirá a uma cúpula especial de países do Sudeste Asiático na próxima semana, em Jacarta, sua primeira viagem oficial desde o golpe de Estado que derrubou o governo civil de Aung San Suu Kyi.

Desde o golpe de 1º de fevereiro, a junta reprimiu duramente o movimento de desobediência civil, que reivindica a restauração da democracia e uma maior participação das minorias étnicas no poder. Até agora, o saldo dos confrontos é de mais de 720 mortos e a detenção de milhares de ativistas.

Uma grande parte da comunidade internacional condenou a junta pelo uso da força contra civis desarmados e adotou sanções contra as principais autoridades militares, suas famílias e empresas ligadas às Forças Armadas.

Neste contexto, os países da região tentam estabelecer canais de comunicação com o regime e, neste sábado, o Ministério tailandês das Relações Exteriores confirmou a presença do líder da junta, general Min Aung Hlaing, na cúpula dos dez países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em 24 de abril, em Jacarta. A crise em Mianmar está na agenda do encontro.

"Vários líderes confirmaram sua presença, incluindo MAH (Min Aung Hlaing) de Mianmar", disse o porta-voz Tanee Sangrat, em uma mensagem à imprensa.

O anúncio causou repulsa entre os ativistas, que pediram aos governos estrangeiros que não reconheçam o poder da junta.

Os militares justificam o golpe por uma suposta fraude nas eleições de novembro passado, das quais o partido da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991, Suu Kyi, saiu vencedor por uma ampla margem.

Os militares garantem que devolverão o poder a um governo civil após eleições previstas para daqui a um ano. Recentemente, no entanto, estenderam este prazo para 24 meses.

Neste sábado, celebra-se o Ano Novo no país, e centenas de pessoas se aglomeraram no famoso pagode Shwedagon, em Yangon, a capital econômica do país. Algumas pessoas manifestaram seu apoio ao chamado "Governo de União Nacional", um Executivo paralelo formado por deputados derrubados pelo golpe de Estado.

Em outras cidades do país, no lugar de festejos, o dia também foi marcado por protestos contra a crescente repressão.

Episódios violentos foram registrados na cidade de Mogok (centro), quando as forças de segurança tentaram impedir uma manifestação.

Segundo um vídeo verificado pela AFP e gravado por um morador, os soldados entraram em uma rua enquanto seu comandante gritava que queria "mortos". Um socorrista disse à AFP que pela menos uma pessoa foi morta na intervenção.

Também neste sábado, uma autoridade do sistema prisional birmanês disse que o conselho planeja soltar mais de 23.000 presos em todo país, por ocasião do Ano Novo budista. Esta época é, tradicionalmente, marcada por uma série de anistias. Não estão claro que isso inclui opositores do golpe militar.

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