Líder da resistência aos talibãs promete 'não se render'

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Um afegão das forças de resistência aos talibãs em Parakh, na província do Panshir, em 19 de agosto de 2021

O líder de um movimento de resistência aos talibãs prometeu nunca se render, mas está aberto a negociar com os novos governantes do Afeganistão - conforme entrevista publicada na revista Paris Match nesta quarta-feira (25).

Ahmad Masud, filho do lendário comandante rebelde afegão Ahmad Shah Masud, retirou-se para seu vale natal de Panjshir, ao norte de Cabul, junto com o ex-vice-presidente Amrullah Saleh.

"Prefiro morrer a me render", disse Masud ao filósofo francês Bernard-Henri Lévy, em sua primeira entrevista desde que os talibãs tomaram Cabul.

"Sou o filho de Ahmad Sha Masud. A rendição não é uma palavra que faça parte do meu vocabulário", frisou.

Masud afirmou que "milhares" de homens estão se somando à Frente de Resistência Nacional (FRN), no Vale do Panjshir. Esta região nunca foi capturada pelas forças invasoras soviéticas em 1979, nem pelos talibãs durante seu primeiro período no poder, entre 1996 e 2001.

Na subida das montanhas estão caminhões de tropas soviéticas enferrujados, tanques de guerra e outros equipamentos soviéticos, uma lembrança das derrotas da URSS para os tadjiques panshiris durante a Guerra do Afeganistão (1979-1989).

Ele renovou seu pedido de apoio aos líderes mundiais, incluindo o presidente francês, Emmanuel Macron, e expressou sua amargura com o fato de terem-lhes negado armas pouco antes da queda de Cabul, no início deste mês.

"Não posso esquecer o erro histórico cometido por aqueles a quem pedi armas há apenas oito dias, em Cabul", declarou Masud, segundo uma transcrição da entrevista publicada em francês.

"Eles se negaram. E essas armas - artilharia, helicópteros, tanques fabricados nos Estados Unidos - estão hoje nas mãos dos talibãs", frisou.

Masud acrescentou que está aberto a falar com os talibãs e expôs as linhas gerais de um possível acordo.

"Podemos conversar. Em todas as guerras, há conversas. E meu pai sempre falou com seus inimigos", completou.

"Vamos imaginar que os talibãs aceitem respeitar os direitos das mulheres, das minorias, a democracia, os princípios de uma sociedade aberta", afirmou.

"Por que não tentar explicar a eles que esses princípios beneficiariam todos os afegãos, incluindo eles?", questionou.

O pai de Masud, que tinha vínculos estreitos com Paris e com o Ocidente, foi apelidado de "Leão de Panjshir" por seu papel na luta contra a ocupação soviética do Afeganistão, na década de 1980, e contra o regime talibã, na década de 1990.

Foi assassinado pela Al-Qaeda dois dias antes dos atentados de 11 de setembro de 2001.

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