Líder das pesquisas na Colômbia acusa tentativa de assassinato e suspende campanha

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O candidato que lidera a corrida presidencial na Colômbia, o esquerdista Gustavo Petro, 62, suspendeu nesta segunda-feira (2) a campanha após denunciar uma suposta tentativa de homicídio. Por causa do episódio, ele anunciou que não viajará mais à região conhecida como Eixo Cafeeiro, um compromisso que estava previsto em sua agenda.

Em comunicado, a assessoria de imprensa do atual senador afirmou que a equipe de segurança recebeu informações de que o grupo La Cordillera estaria planejando um ataque contra ele. A decisão de suspender a viagem teria o objetivo de preservar o candidato e seus assessores.

A candidatura de Petro, ex-integrante do grupo guerrilheiro M-19, hoje desmobilizado, desagrada a grupos paramilitares, que surgiram no confronto com esses grupos de esquerda ao longo das últimas seis décadas.

O La Cordillera é identificado como uma célula que atua nos departamentos de Quindío, Caldas e Risaralda. Seu mais recente atentado culminou com o assassinato de um líder ativista local, Lucas Villa, durante protestos no ano passado.

A sugestão de que poderia haver um ataque contra Petro vem sendo especulada nos últimos dias. No último domingo (1º), a revista Semana noticiou que altos oficiais do Exército, não identificados, falavam em tom ameaçador sobre o ex-prefeito de Bogotá.

Magnicídios não são inusuais na história política recente da Colômbia. Também ex-integrante do M-19, o então candidato presidencial em 1990 Carlos Pizarro foi assassinado dentro de um avião, quando se deslocava entre atos de campanha.

Na mesma corrida eleitoral, houve o assassinato do líder liberal Luis Carlos Galán, à época favorito para vencer o pleito, a mando do Cartel de Medellín. Galán era um inimigo pessoal do então líder da facção criminosa, Pablo Escobar, e vinha denunciando os delitos de narcotráfico ocorridos na época, quando também foram assassinados ministros, donos de jornal e empresários.

Depois da morte de Galán, o Cartel de Medellín atacou e derrubou um voo da Avianca que ia de Bogotá a Cali, na tentativa de matar Cesar Gaviria, que assumiu a candidatura no lugar de Galán. Foi, porém, um erro de planejamento do grupo, uma vez que o político havia mudado de planos e não estava a bordo. No ataque, morreram as 107 pessoas que estavam na aeronave.

Ainda nessa mesma campanha, que depois seria vencida por Gaviria, também foi morto o candidato comunista Bernardo Jaramillo Ossa.

O assassinato mais marcante da história colombiana, porém, foi o de Jorge Eliezer Gaitán, em 1948. O líder, que concorreria às eleições presidenciais, foi morto à luz do dia em pleno centro de Bogotá. O autor do crime foi posteriormente morto por uma multidão enfurecida e seu corpo acabou sendo arrastado pelas ruas da capital.

O caso deu origem ao período conhecido como "La Violencia", em que se enfrentaram conservadores e liberais. Nos dias seguintes, vários edifícios públicos e residências de Bogotá vieram ao chão. Entre elas, a pensão onde vivia o então estudante Gabriel García Márquez. Ter visto em primeira mão o chamado Bogotazo marcou a obra do futuro Nobel de Literatura, que passou a ser um ativista pela paz em seu país.

As eleições presidenciais colombianas ocorrem no próximo dia 29. Será o segundo pleito depois da assinatura do acordo de paz entre o Estado e a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). No primeiro, saiu vencedor o atual presidente, Iván Duque, que é contrário ao acordo, assim como parte dos grupos paramilitares ativos.

Segundo a mais recente pesquisa realizada pela Ecoanalítica, a corrida iria para um segundo turno, a ser disputado em 19 de junho. Petro lidera com 36,4% das intenções de voto, enquanto em segundo lugar está o direitista Federico "Fico" Gutiérrez, ex-prefeito de Medellín, com 30,6%. É a primeira vez desde 2002 que a direita vinculada ao ex-caudilho Álvaro Uribe não tem protagonismo no pleito.

Em março, a esquerda ligada a Petro venceu o pleito legislativo com um resultado histórico.

O ambiente pré-eleitoral está fervilhando nos últimos dias. Houve uma confissão coletiva de 10 ex-militares de que foram de fato responsáveis pelo escândalo dos chamados "falsos positivos", quando o Exército matou civis e simulou que se tratavam de guerrilheiros. Uribe responde a processo por ter envolvimento no caso.

Há setores das Forças Armadas, do paramilitarismo e da direita que são contra o âmbito em que se deu a confissão, um tribunal da Justiça Especial da Paz, órgão instituído pelo acordo de paz e que vem oferecendo penas reparatórias e anistias a ex-oficiais, paramilitares e ex-guerrilheiros que confessem a participação em delitos. Calcula-se que houve 6.402 civis mortos no escândalo dos "falsos positivos".

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