Empresário holandês é condenado a 19 anos por tráfico de armas na Libéria

Haia, 21 abr (EFE).- Um tribunal na Holanda condenou nesta sexta-feira a 19 anos de prisão um empresário do país, Guus Kouwenhoven, por tráfico ilegal de armas e por cumplicidade em crimes de guerra durante o conflito bélico na Libéria, entre 1999 e 2003.

Este distribuidor de armas, que pertenceu ao círculo próximo do ex-ditador liberiano Charles Taylor, foi detido em Roterdã em março de 2005 sob suspeita de tráfico de armas na Libéria, mas acabou sendo absolvido três anos mais tarde por falta de provas.

No entanto, o tribunal de 's-Hertogenbosch, no sul do país, que ditou hoje a sentença, considerou culpado este homem de 71 anos por fornecer armas ilegalmente ao regime de Taylor enquanto regia um embargo internacional sobre a Libéria.

Kouwenhoven não ouviu sua sentença em pessoa por problemas médicos, mas agora terá que voltar à prisão, já que sua idade avançada e sua saúde deteriorada não foram consideradas pela Justiça para reduzir a pena.

A procuradoria, que solicitou ao Tribunal Supremo a reabertura do caso, tinha exigido 20 anos de prisão para o empresário.

A advogada-geral Cara Pronk-Jordan argumentou que as discrepâncias nos depoimentos e histórias das testemunhas que intervieram na primeira tentativa de julgá-lo em 2006 foram resultado de supostas ameaças, influência e pagamento de propina por parte do acusado.

No entanto, várias testemunhas afirmaram terem visto que, durante o embargo, armas foram entregues no porto da cidade de Buchanan, na Libéria e, segundo a acusação, metralhadoras e munições foram transportadas com apoio das companhias de Kouwenhoven.

A ONU emitiu uma resolução em 2001 para proibi-lo de viajar à Libéria devido às suspeitas de tráfico de armas, mas ele sempre negou as acusações.

A Libéria sofreu duas guerras civis, entre 1989 e 1996 e entre 1999 e 2003, que resultaram na morte de 150 mil pessoas e deixaram centenas de milhares de deslocados e refugiados, o que levou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a autorizar uma missão que, em sua fase inicial, chegou a contar com mais de 15 mil efetivos. EFE

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