Líder do governo Lula vai pedir à PGR intervenção na Segurança do DF

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP,  21-06-2022 - O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do pedido de abertura da CPI do MEC. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 21-06-2022 - O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do pedido de abertura da CPI do MEC. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), deve ingressar neste domingo (8) na PGR (Procuradoria-Geral da República) com um pedido de intervenção federal na Segurança do Distrito Federal.

O parlamentar resolveu entrar com o pedido após a ação leniente das forças de segurança do DF diante das manifestações de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que invadiram e vandalizaram as sedes dos Três Poderes.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), defendeu por sua vez que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adote medidas duras em resposta às invasões aos prédios públicos.

Guimarães afirmou ser necessária a convocação do Conselho de Segurança Nacional; a instituição de uma operação GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e a intervenção na Segurança do Distrito Federal. Segundo ele, é evidente a omissão do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB) na situação. "Não cabe bom-mocismo neste momento de ameaça à democracia, às autoridades e aos bens públicos", afirma.

Manifestantes golpistas entraram na Esplanada dos Ministérios na tarde deste domingo (8), invadiram áreas do Congresso, do Planalto e do STF (Supremo Tribunal Federal), espalharam atos de vandalismo em Brasília e entraram em confronto com a Polícia Militar.

A ação de apoiadores de Bolsonaro ocorre uma semana após a posse de Lula, antecedida por atos antidemocráticos insuflados pela retórica golpista do ex-presidente no período eleitoral.

Neste domingo, a Polícia Militar lançou bombas de efeito moral contra um grupo de centenas de manifestantes. Eles vieram do acampamento diante do Quartel-General do Exército, chegaram à Esplanada e se concentraram inicialmente em frente ao Ministério da Justiça.

Depois, uma parte invadiu a parte superior e a área interna do Congresso. Os manifestantes avançaram para a Praça dos Três Poderes, onde houve confronto. Em seguida, se dirigiram ao Palácio do Planalto, onde entraram em uma parte do complexo e perduraram bandeira do Brasil em uma janela.

Os apoiadores se dirigiram ainda ao STF, onde alcançaram uma área restrita de segurança.

No STF, os vândalos chegaram a pichar nas janelas a frase "perdeu, mané".

A frase faz alusão a uma resposta dada pelo ministro do tribunal Luís Roberto Barroso a um bolsonarista após sofrer hostilidades dos militantes durante viagem a Nova York.

As imagens dos atos mostram os manifestantes circulando livremente pelo interior dos prédios públicos em diferentes andares, inclusive pela rampa interna do Palácio do Planalto –usada pelo presidente da República na posse e na recepção de autoridades estrangeiras.

Os vândalos também foram vistos próximos ao gabinete da Presidência da República, mesmo após terem quebrado janelas e outros itens; jogarem cadeiras para fora e usarem mangueiras de incêndio para inundar os locais.

Policiais militares do Distrito Federal foram vistos à distância do local sem reagirem diretamente, apenas tirando fotos dos acontecimentos com seus celulares.

Em Brasília, em reação às bombas, manifestantes soltaram fogos de artifício. No confronto, atiraram grades de ferro e outros objetos contra os policiais, que tiveram carros quebrados.

Integrantes do governo Lula, da Polícia Federal e do STF creditam ao governo do Distrito Federal, em especial à Secretaria de Segurança local, comandada pelo ex-ministro da Justiça Anderson Torres, a responsabilidade pela invasão e pela depredação dos golpistas.

Torres foi ministro da Justiça de Bolsonaro e está de férias neste domingo nos Estados Unidos.