Líder de megaigreja mexicana La Luz del Mundo é condenado a 16 anos de prisão por abusar de menores

Naasón Joaquín García, líder da megaigreja evangélica mexicana La Luz del Mundo, foi condenado em um tribunal de Los Angeles, nos Estados Unidos, a 16 anos e oito meses de prisão nesta quinta-feira. García, de 53 anos, se declarou culpado na semana passada de três acusações de abuso sexual contra meninas que frequentavam a congregação.

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García enfrentava 19 acusações, mas três dias antes do início do julgamento ele se declarou culpado de duas acusações de sexo oral forçado envolvendo menores e uma acusação de ato obsceno contra uma vítima de 15 anos. A declaração permitiu que o julgamento fosse arquivado e o líder da igreja não enfrentará outras acusações de estupro e tráfico de meninas, crimes que ele nega ter cometido.

Conforme a promotoria, as vítimas "sofreram essencialmente uma lavagem cerebral" de García e sentiam que seriam condenadas ao ostracismo pela comunidade religiosa se não se submetessem aos desejos do religioso. O juiz Ronald Coen disse no tribunal que García usou a religião como "algemas invisíveis" para explorar menores.

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La Luz del Mundo (que significa A Luz do Mundo em português) é uma organização cristã fundamentalista fundada no México em 1926 pelo avô de García, Eusebio Joaquín González. O líder religioso era conhecido pelos seguidores como "O Apóstolo" e assumiu o cargo depois da morte do pai, Samuel Joaquín Flores, em 2014. A igreja tem quase 2 milhões de fiéis no México e cerca de 1 milhão em solo americano, principalmente na Califórnia, onde vivem muitas pessoas de origem hispânica. García visitava os EUA com frequência e foi preso no aeroporto de Los Angeles em 2019, quando chegou ao local em um jato particular, acompanhado de duas fiéis que trabalhavam com ele.

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Conforme a emissora ABC News, a líder do grupo de jovens da Igreja, Alondra Ocampo, que anteriormente se declarou culpada de abusar das meninas, foi acusada de levar adolescentes em trajes minúsculos para realizar danças sensuais para García. Ela também realizou sessões de fotos das vítimas nuas para García. Ocampo dizia que se as jovens rejeitassem os desejos e vontades do "apóstolo", estariam contrariando Deus. Conforme as investigações, García dizia às meninas que "ele era um rei" e poderia ter amantes e que "um apóstolo de Deus nunca pode ser julgado por suas ações". Susana Medina Oaxaca, outra ré na ação, que também era integrante da igreja, foi acusada de agressão suscetível de causar grandes lesões corporais.

O pai de García também foi alvo de acusações de abuso sexual infantil em 1997, mas as autoridades no México nunca apresentaram acusações criminais contra ele.

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