Líder indígena Yaku Pérez se afasta de partido e volta 'à resistência' no Equador

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O candidato Yaku Pérez, em entrevista à AFP em Quito

O líder indígena Yaku Pérez, que ficou em terceiro na última eleição presidencial no Equador, anunciou nesta quarta-feira (19) sua saída do movimento Pachakutik, ao qual criticou por se aliar ao partido do presidente eleito, o direitista Guillermo Lasso.

"Eu me retiro do Pachakutik, me retiro, volto à resistência, volto a meu estudo jurídico, volto à defesa da água", disse em uma coletiva de imprensa Pérez, que ficou de fora do segundo turno por uma diferença de 0,35 ponto percentual com o ex-banqueiro Lasso.

O ex-candidato presidencial, que obteve 19,39%% dos votos, destacou que sua retirada se deve a desavenças com os legisladores eleitos pelo Pachakutik. Em aliança com o movimento CREO (de Lasso) e a Esquerda Democrática (ID), conseguiram a presidência do Congresso.

"Aliaram-se com um governo que nem sequer transparentar a agenda legislativa", disse Pérez. E questionou: "Quando os bancos tiveram uma face humana?".

Além disso, o advogado ambientalista acrescentou: "Nossa aliança não deve ser com o neoliberalismo, com as direitas. Nossa aliança natural é com os setores sociais, nossa aliança deve ser com o povo".

No sábado, o CREO apoiou as forças anticorreístas para eleger como presidente do Parlamento por dois anos Guadalupe Llori, membro do Pachakutik e arquirrival política do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017).

Essa união também acabou com a aliança entre Lasso e o Partido Social Cristão (PSC), com o qual chegou à Presidência.

"Não acredito que o partido do governo tenha apoiado a presidência da Assembleia em troca de nada, sempre há uma condição e eles têm uma agenda claríssima, o extrativismo", disse Pérez.

Embora tenha se mostrado contente por Llori, Pérez tachou como "decorativa" a presidência do Pachakutik no Legislativo.

"De que serve ter uma presidência decorativa refém do governo nacional?", questionou-se.

Llori empossará em 24 de maio Lasso, que nesta quarta recebeu do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a credencial de presidente eleito.

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