Líder maori da Nova Zelândia é expulso do Parlamento por não usar "nó colonial"

Praveen Menon
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Rawiri Waititi

Por Praveen Menon

WELLINGTON (Reuters) - Um líder maori da Nova Zelândia que foi expulso do Parlamento nesta semana por se recusar a usar uma gravata na câmara disse que obrigá-lo a adotar um código de vestimenta ocidental é uma violação de seus direitos e uma tentativa de suprimir a cultura indígena.

O presidente do Parlamento, Trevor Mallard, impediu Rawiri Waititi de fazer perguntas duas vezes na câmara de debates na terça-feira, insistindo que parlamentares só podem fazê-lo se estiverem usando uma gravata.

Waititi, de 40 anos, que se tornou parlamentar pela primeira vez na eleição de outubro, usava um taonga, um pingente de pedra verde maori.

Quando Waititi insistiu com a pergunta, depois de ser interrompido uma segunda vez, Mallard ordenou que ele saísse.

"Não se trata de gravata, trata-se de identidade cultural, companheiro", disse Waititi ao deixar a câmara.

Waititi usou o mesmo traje para ir ao Parlamento nesta quarta-feira e, desta vez, teve permissão para falar.

"O laço foi tirado de nossos pescoços e agora podemos cantar nossas canções", disse Waititi.

O incidente provocou um debate sobre colonialismo na Nova Zelândia e causou indignação em todo o mundo.

Os maori tem 21% de representação no Parlamento, mas Waititi, que classifica as gravatas como um "nó de forca colonial", disse que ainda existe um racismo sistêmico na Nova Zelândia e que isso é produto da colonização.