Líder do Motorhead, Lemmy Kilmister, morre de câncer aos 70

Por Robin MILLARD, Alfons LUNA
Lemmy Kilmister se apresenta na França, em 19 de junho de 2015

O líder da banda de metal britânica Motorhead, Ian Lemmy Kilmister, faleceu de câncer, aos 70 anos, na segunda-feira, anunciou o grupo.

O lendário roqueiro, fundador, cantor e baixista do Motörhead, era um dos grandes nomes do rock'n roll ainda vivos.

O câncer na garganta que o matou foi diagnosticado no sábado passado, dois dias depois que ele festejou seu 70º aniversário.

"Não há um jeito fácil de dizer isso... Nosso forte e nobre amigo Lemmy faleceu hoje (segunda), após uma curta batalha contra um câncer muito agressivo", informou o grupo, em declaração publicada em sua página no Facebook.

"Ele soube da doença em 26 de dezembro e estava em casa, sentado na frente de seu videogame favorito", acompanhado de sua família, acrescentou o grupo.

"Não temos como expressar nossa comoção e tristeza. Não há palavras", desabafou a banda.

A morte de Kilmister também significa o fim do grupo, garantiu nesta terça o baterista da banda, Mikkey Dee, ao jornal sueco Expressen.

"Acabou o Motorhead, é claro. Lemmy era o Motörhead, mas a banda vai continuar viva na memória de muitas pessoas", disse Dee.

"Não faremos mais turnês. E não haverá mais discos. Mas a marca sobrevive e Lemmy vive nos corações de todos", acrescentou

Kilmister, que sempre atribuiu sua longevidade ao fato de não ter consumido heroína, vivia em Los Angeles (Califórnia, Estados Unidos), onde frequentava o Rainbow Bar and Grill em Sunset Strip.

Apesar de ser considerado um pioneiro do heavy metal, sempre insistiu que Motörhead era um grupo de 'rock and roll'.

Além de ser adepto do álcool, outras drogas e um agitada vida amorosa, era viciado em videogame.

Ian "Lemmy" Kilmister nasceu em 24 de dezembro de 1945 em Stoke-on-Trent, centro da Inglaterra, mas cresceu na ilha de Anglesey, noroeste de Gales.

Kilmister trabalhou como membro da equipe técnica do lendário guitarrista americano Jimi Hendrix, a quem acompanhava em suas turnês.

Fundou o Motörhead em 1975, depois de ser expulso do Hawkwind, um grupo de rock espacial, uma variação do rock psicodélico e progressivo.

O grupo lançou 20 álbuns e um de seus principais sucessos aconteceu em 1980 com a canção "Ace of Spades".

"Celebrem a vida deste homem encantador e maravilhoso. Ele ia querer exatamente isso", declarou a banda, que insistiu para que seus fãs sempre se recordem dele interpretando suas canções.

"Nascido para perder, viveu para ganhar", acrescentou.

A saúde do cantor se degradou recentemente, mas o grupo continuava tocando.

Apesar de nunca ter usado heroína, confessou que havia provado outras drogas e uma vez ficou acordado por duas semanas consumindo anfetaminas.

Consumia, além disso, muito álcool, uma garrafa de whisky por dia, apesar de nos últimos tempos dizer que optou pela vodca com suco de laranja devido à diabetes.

Lemmy Kilmister afirmava, por outra parte, que fez amor com mais de mil mulheres e que nunca se casou porque a vida em família era incompatível com a vida itinerante de roqueiro.

No entanto, era pai de um rapaz chamado Paul.

A morte do fundador do Motörhead entristeceu o mundo do rock.

"Perdi hoje um de meus melhores amigos, o Lemmy (...) Era um guerreiro, uma lenda. Te verei do outro lado", declarou Ozzy Osbourne, cantor do Black Sabbath.

"Vou sentir tua falta, companheiro. Você sempre foi um pilar de dignidade. Descansa em paz, Lemmy", escreveu Nikki Sixx, do grupo Mötley Crüe.

"As palavras para Lemmy nunca serão suficientes, por isso dizemos simplesmente: Adeus, Lemmy, obrigado pela música e os shows".

Brian May, guitarrista do Queen, declarou que Kilmister era "absolutamente único".

O Motörhead tinha previsto voltar aos palcos a partir de 23 de janeiro, com uma turnê por Manchester, Glasgow e Londres, e outras cidades europeias, como Paris, Barcelona, Madri e Genebra.

A morte de Lemmy acontece cerca de um mês depois do falecimento do ex-baterista do grupo Phil "Philthy Animal" Taylor, aos 61 anos.