Líder norte-coreano se compromete a fortalecer capacidades de defesa

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Foto divulgada em 5 de janeiro de 2021 pela agência estatal KCNA mostra o dirigente norte-coreano Kim Jong Un na abertura do congresso do partido

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, prometeu fortalecer suas capacidades de defesa durante um discurso no congresso do partido no poder, reportou a agência oficial de notícias nesta quinta-feira (noite de quarta, 6, no Brasil).

Em seu informe ao congresso do Partido dos Trabalhadores, Kim prometeu elevar "as capacidades de defesa do Estado para um nível muito mais alto, e estabelecer as metas para alcançá-lo", segundo a agência de notícias coreana (KCNA).

O discurso de Kim, que mantinha uma relação direta com o presidente americano em fim de mandato, Donald Trump, ocorre a duas semanas da posse do democrata Joe Biden em Washington.

A agência KCNA não fez alusão a armas nucleares, nem deu detalhes sobre estas "capacidades de defesa" mencionadas pelo líder supremo.

Em outubro passado, o regime norte-coreano mostrou um míssil de grandes dimensões que, segundo os analistas, é o maior projétil de lançamento por plataforma móvel do mundo.

Segundo estas fontes, este míssil provavelmente é capaz de carregar várias ogivas nucleares.

A Coreia do Norte sempre disse que precisava de armas nucleares para se defender de uma possível invasão americana.

Sob a presidência de Kim, o programa nuclear e balístico de Pyongyang foi bastante acelerado, com vários testes de mísseis causando irritação nos Estados Unidos e preocupação em países da região.

A chegada de Trump ao poder em 2017 inicialmente gerou uma cascata de declarações agressivas e até insultos entre os dois líderes. Mas, inesperadamente, os dois mandatários, acostumados a declarações bombásticas e anúncios espetaculares, realizaram uma cúpula sem precedentes, que deu esperança de um possível desarmamento norte-coreano.

Os Estados Unidos alertam há anos que não estão dispostos a permitir que Pyongyang desenvolva armas nucleares, apesar de especialistas afirmarem que o país provavelmente já possui várias bombas.

A segunda cúpula Trump-Kim, em Hanói em 2019, não rendeu nenhum resultado, mas o líder norte-coreano não rompeu totalmente o contato com o presidente americano, e o regime, pelo menos oficialmente, suspendeu seus testes nucleares, embora não teste de projéteis.

O congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte é realizado a cada cinco anos e é um evento primordial para estudar os planos do regime.

- "Cão raivoso" -

Segundo imagens de satélite, o país se prepara para um grande desfile “com elementos militares” em breve na capital.

Em seu discurso inaugural no congresso na terça-feira, Kim reconheceu "erros".

Os resultados estão, disse ele, "muito abaixo de nossas metas em quase todas as áreas", informou a agência oficial norte-coreana KCNA. O país sofre com a má gestão da economia e o plano anterior foi silenciosamente abandonado no ano passado.

"Pretendemos examinar em profundidade nossas experiências, lições e erros cometidos", acrescentou Kim.

A relação com Biden promete ser tão ou mais tumultuada que a que o líder norte-coreano manteve no início da presidência de Trump. Biden chamou Kim de "valentão" e Kim respondeu chamando o veterano político democrata de "cão raivoso".

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