Rohani pede que Trump quite "dívidas anteriores" para decidir sobre acordo

Teerã, 25 abr (EFE).- O presidente do Irã, Hassan Rohani, pediu nesta quarta-feira a seu homólogo americano, Donald Trump, que "quite suas dívidas anteriores para depois tomar uma nova decisão", em alusão a um eventual novo acordo multilateral com o Irã.

"Se o JCPOA (sigla em inglês do acordo nuclear) era ruim e perigoso, por que o assinou? É um homem de negócios e não sabe nada sobre direito", disse Rohani em discurso na cidade de Tabriz.

Trump, junto o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou ontem a possibilidade de negociar um novo acordo multilateral para bloquear a atividade nuclear de Teerã "a longo prazo", "acabar com as atividades (de mísseis) balísticos" do Irã e buscar "uma solução política para conter o Irã na região".

Rohani colocou em dúvida a legitimidade de uma decisão adotada por somente dois dos sete signatários do acordo nuclear, firmado em 2015 entre o Irã e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha).

"O fato de o senhor (Trump) ameaçar bancos e investidores a não trabalhar com o Irã vai contra o prometido no JCPOA", denunciou o presidente iraniano, resumindo as citadas "dívidas anteriores".

Em seu discurso, Rohani afirmou que o problema atual do mundo são "os políticos que não levam em conta as consequências das suas palavras".

Também criticou a política de Washington em relação ao Oriente Médio, que trouxe "miséria" à região.

"Nossa região estará mais segura com vocês fora", disse Rohani, que se perguntou se o fato de os americanos venderem armas à Arábia Saudita para bombardear o Iêmen trouxe estabilidade ao país.

Em janeiro deste ano, Trump fez um ultimato aos países europeus signatários do pacto nuclear para que negociassem com ele um acordo paralelo que corrigisse os "defeitos" do original; e planeja anunciar sua decisão o respeito no próximo dia 12 de maio.

O acordo nuclear limita o programa atômico de Teerã em troca da suspensão das sanções internacionais, mas não inclui nenhuma restrição às armas convencionais do Irã ou a suas políticas no Oriente Médio.

As autoridades iranianas já advertiram que não estão dispostas a negociar um novo pacto nem a ceder às exigências de Trump. EFE