Líder do PT na Câmara deve assumir ministério do Desenvolvimento Agrário depois de ser preterido no MEC

O líder do PT na Câmara, deputado Reginaldo Lopes (MG), deve assumir o Ministério do Desenvolvimento Agrário, que será recriado a partir de janeiro. Deputados do partido apoiavam o nome dele para o Ministério da Educação, mas foi preterido pelo também petista Camilo Santana, ex-governador do Ceará.

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Nos últimos dias, Lopes foi sondado pelo entorno do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para comandar o Desenvolvimento Agrário. Na segunda-feira, Lopes visitou o Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), sede do governo de transição em Brasília, para conhecer a estrutura que o ministério terá. Na ocasião, ele conversou com integrantes do grupo temático da área na transição e discutiu organograma da pasta.

Sob o ministério, deverão ficar órgãos como Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), Centrais de Abastecimento (Ceasa) e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) — este último também disputado pelo Ministério da Agricultura.

Após a confirmação de Camilo Santana para Educação, Reginaldo Lopes afirmou a Lula que gostaria de assumir o Planejamento. A pasta, no entanto, ficará com Simone Tebet (MDB). O GLOBO apurou que, na fase final de costura dos ministérios, emissários de Lula consultaram Lopes sobre outras duas pastas: Desenvolvimento Agrário ou Previdência. O deputado prefere a primeira opção.

Lula havia prometido fazer Lopes ministro. A ideia é retribuir o empenho do parlamentar na liderança do PT na Câmara, pelo trabalho de articulação na “PEC da Transição”, assim como recompensá-lo por ter aberto mão da candidatura ao Senado em Minas Gerais em nome do apoio do PSD à chapa presidencial. No lugar de Lopes, concorreu o senador Alexandre Siveira (PSD-MG), que não se elegeu. Em 2018, Lopes também não concorreu em favor da candidatura ao Senado da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que também não foi eleita.

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Além da recompensa pessoal de Lula a Lopes, a ida do parlamentar ao ministério é uma forma de o presidente eleito atender ao PT de Minas Gerais e trabalhá-lo para a disputa do governo do estado em 2026. Filho de trabalhadores rurais, Lopes deverá assumir uma pasta que abriu disputa interna no PT na fase final de montagem dos ministérios.

O deputado federal Valmir Assunção (PT-BA) e o deputado estadual Edegar Pretto (PT-RS) também miravam o cargo. Assunção é o nome favorito do Movimento Sem-Terra (MST), enquanto Pretto conta com o apoio de petistas históricos, como a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-governador Olívio Dutra.