Líder separatista de Caxemira enterrado sob rígida segurança em funeral noturno

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O líder separatista da Caxemira Syed Ali Shah Geelani, em uma fotografia de 2013 (AFP/STR)

O líder separatista da Caxemira Syed Ali Geelani foi enterrado na madrugada desta quinta-feira (2) sob rígidas medidas de segurança impostas pelas autoridades indianas em toda a região do Himalaia.

Geelani, um opositor veemente da autoridade indiana nesta região de maioria muçulmana, dividida entre Índia e Paquistão desde 1947, estava doente há vários meses e faleceu na quarta-feira aos 92 anos.

Ele lutava pela união da Caxemira indiana com a parte paquistanesa desde a década de 1960 e passou 10 anos na prisão a partir de 1962.

Geelani foi sepultado em um cemitério perto de sua casa na cidade principal de Srinagar, informou uma fonte policial à AFP.

A família de Geelani anunciou que não foi autorizada a comparecer ao funeral.

O ativista havia expressado o desejo de ser enterrado no Cemitério dos Mártires de Srinagar, mas as autoridades rejeitaram o pedido, segundo um policial.

"Por volta das 3H00 a polícia entrou em nossa casa e levou o corpo do nosso pai", afirmou à AFP um dos filhos de Geelani, Naseem.

"Não permitiram que ninguém de nossa família participasse no enterro", disse.

A fonte policial admitiu que as forças de segurança foram responsáveis pela organização do enterro.

Moradores da região afirmaram que as autoridades atuaram desta maneira pelo temor de distúrbios durante a cerimônia fúnebre.

Os habitantes relataram que o exército usou arame farpado e barricadas nas ruas próximas à residência de Geelani em Srinagar, onde o ativista estava em prisão domiciliar há 11 anos.

"Há soldados por todos os lados, há barricadas com arame farpado em todas as principais avenidas", disse um deles.

Uma mesquita próxima à casa de Geelani fez uma convocação para que a população seguisse até a residência da família, mas veículos blindados e caminhões patrulhavam a área.

A polícia ordenou que as pessoas não deixassem suas casas.

O primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, foi um dos primeiros a prestar homenagem a Geelani e afirmou no Twitter que estava "profundamente comovido com a morte do lutador pela liberdade da Caxemira".

- Independentista incansável -

Khan destacou que Geelani "lutou durante toda a vida por seu povo e por seu direito à autodeterminação. Sofreu a prisão e tortura pelo Estado ocupante indiano, mas permaneceu firme".

Ele decretou um dia de luto nacional no Paquistão.

Geelani foi conhecido como um opositor incansável da autoridade de Nova Délhi na região do Himalaia.

Mais de meio milhão de soldados indianos foram mobilizados na região, cenário de duas das três guerras travadas entre Índia e Paquistão desde a independência dos dois Estados.

Desde que a autonomia da Caxemira indiana foi revogada em agosto de 2019, o governo eleito localmente foi substituído por um governador nomeado pelo Executivo central e, desde então, novas leis são aplicadas na região.

Milhares de pessoas foram detidas com base em uma lei sobre a segurança pública, que contempla que os cidadãos podem permanecer presos durante dois anos no máximo sem a necessidade de acusação formal ou processo.

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