Líder silencioso e pé no chão, Ribeiro é símbolo de títulos no Flamengo e quer renovar após a Copa

Antes mesmo de juntar os principais craques da atual geração a partir de 2019, o Flamengo abriu os cofres ainda em 2017, no meio de sua reestruturação financeira, para fazer o seu primeiro grande investimento. Éverton Ribeiro custou R$ 22 milhões ao clube, mas passou duas temporadas para se firmar como o grande capitão e criador de um elenco multicampeão. Hoje, aos 33 anos, coleciona 11 títulos como titular e 200 vitórias com a camisa rubro-negra em 331 jogos.

Do primeiro Estadual, ainda em 2019, a peça fundamental nos dois últimos, da Copa do Brasil e da Libertadores, com assistências e grandes atuações. Mesmo assim, no começo da temporada, conviveu com um momento ruim sob o comando de Paulo Sousa e esteve cotado para deixar o Flamengo. A recuperação com Dorival Jr propiciou o recuo nessa possibilidade, apesar de algumas sondagens, e a retomada do projeto pessoal de ir à Copa do Mundo em novembro.

— Dia 7 espero na frente da TV, torcendo pela convocação — avisou o meia, que enalteceu o trabalho do clube e preferiu não falar de si. Alias, a característica pé no chão, sem se abalar com críticas ou se empolgar com elogios, é marca registrada.

As palavras nunca foram seu forte. O processo de consolidação de Éverton Ribeiro como uma liderança silenciosa no clube se deu a partir da intervenção de outro português, Jorge Jesus. Depois de chegar ao Flamengo, o treinador questionou a diretoria sobre o tempo de casa de cada profissional. Na ocasião, o elenco tinha nomes mais antigos, como Diego Ribas e Willian Arão, e em seguida vinha Ribeiro. O Mister estabeleceu, portanto, que não haveria só um capitão. Promoveu, assim, Ribeiro como primeira alternativa a Diego, que com o tempo deixaria o time titular por causa de uma lesão e não voltaria mais. Os meias e o goleiro Diego Alves formaram, então, o trio de capitães que ergueu, mais uma vez, a taça da Libertadores no sábado, a segunda em quatro edições.

Ano de Copa pensando na renovação


Com o fim de contrato dos dois Diegos em dezembro, Éverton Ribeiro será, a partir de 2023, o primeiro e único da lista a usar a braçadeira. Mas também precisará discutir em breve sua situação. Após o título da Libertadores de 2019, o Flamengo ampliou o contrato do meia até o fim do próximo ano. O clube discutiu, em alguns momentos, rever o investimento com a negociação do meia para o futebol árabe, de onde veio em 2017. Entretanto, com a valorização em função dos títulos e a provável ida para o Catar para jogar o Mundial, deverá colocar o tema renovação em pauta após a Copa. A intenção dos representantes do jogador é aguardar a participação no torneio com a perspectiva de muita lenha para queimar ainda.

A volta por cima do meia passa também por uma utilização melhor planejada em campo, para que pudesse render mais fisicamente. Ribeiro vai completar a quinta temporada completa pelo Flamengo com o maior número de jogos desde 2018. Este ano, foi titular em 47 das 62 partidas pelo clube até agora. No ano passado, entretanto, começou 48 de cinquenta jogos. O percentual foi parecido um ano anos, quando jogou 52 de 57 partidas como titular. Em 2019, foram 54 jogos desde o início em um total de 62. Antes disso, chegou a fazer 56 atuações de 57 em que esteve relacionado liderando o meio-campo desde o começo.

Como nasceu o capitão silencioso

A hierarquia promovida por Jorge Jesus se manteve no clube mesmo após a sua saída, em 2020, e a passagem de vários treinadores, brasileiros e estrangeiros. Sempre, desde então, Ribeiro foi mantido como o capitão em campo, o líder técnico de um elenco que, já desde 2019, começava a receber reforços internacionais, com mais experiência do que ele, como os laterais Rafinha e Filipe Luís. No ano passado, David Luiz também chegou com liderança no vestiário, e Gabigol amadureceu ao longo das temporadas para fazer ecoar sua voz. Nada tirou de Ribeiro a braçadeira. E a reformulação em curso atualmente só reforçou a sua importância e longevidade na função.

De novo em silêncio, o camisa sete se manteve como principal referência criativa da equipe a partir do segundo semestre, principalmente no momento das decisões. Não só pelo que fazia em campo, como pelo comportamento no clube fora das quatro linhas, e também pela construção familiar que inspirava a todos. Casado com Marilia Nery, o jogador foi pai de Augusto em 2018 e Antônio em 2020, ambos durante a sua trajetória no Flamengo. O primeiro filho nasceu prematuro, em dia que Ribeiro decidiu a classificação para as oitavas da Libertadores de 2018 depois de oito anos, contra o Emelec, no Maracanã. Nascia também o Éverton “Miteiro”, decisivo e maduro.

“Sem polêmica, sem ego, apenas na humildade e talento. Uma carreira marcada por grandes conquistas. Uma década deixando história por onde passa. Você é gigante, meu craque, meu amor”, declarou-se a mulher Marilia, após a conquista no Equador ao lado do marido e dos filhos.