Líder supremo do Irã exige "ação" de Biden para retomar acordo nuclear

Parisa Hafezi
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Líder supremo do Irã, Ali Khamenei

Por Parisa Hafezi

DUBAI (Reuters) - O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, exigiu "ação, não palavras" dos Estados Unidos caso queiram retomar o acordo nuclear do Irã com potências mundiais, desafiando o presidente Joe Biden a dar o primeiro passo em direção a um descongelamento.

O Irã estabeleceu um prazo até a semana que vem para que Biden comece a reverter as sanções impostas por seu antecessor, Donald Trump, ou dará seu maior passo até agora para violar o acordo de 2015 --banindo as inspeções de curto prazo pelo órgão de vigilância nuclear da ONU.

"Ouvimos muitas palavras bonitas e promessas que, na prática, foram quebradas, e ações opostas foram tomadas", disse Khamenei em um discurso transmitido pela televisão. "Palavras e promessas não valem. Desta vez (queremos) apenas ação do outro lado, e também vamos agir."

Na quarta-feira, os Estados Unidos fizeram um apelo para o Irã reverter medidas que afetam suas promessas sob o acordo.

Biden pretende restaurar o pacto pelo qual o Irã concordou em restringir seu programa de enriquecimento de urânio em troca da suspensão de sanções, uma importante conquista do governo Obama que Trump descartou em 2018, ao considerar o acordo favorável ao Irã, e voltou a impor um ampla gama de sanções.

Irã e Estados Unidos estão em desacordo sobre quem deve dar o primeiro passo para reativar o acordo. O Irã diz que os Estados Unidos precisam primeiro suspender as sanções de Trump, enquanto Washington afirma que Teerã precisa primeiro retornar ao cumprimento do acordo, que começou a violar depois que Trump lançou sua campanha de "pressão máxima".

(Reportagem adicional de Joseph Nasr em Berlim, Francois Murphy em Viena e Simon Lewis em Washington)