Líderes comunistas chineses iniciam reunião que deve reforçar poder do presidente

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O presidente chinês, Xi Jinping, durante recepção em Pequim em 30 de setembro de 2021 (AFP/GREG BAKER)
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Os principais líderes do Partido Comunista da China iniciaram nesta segunda-feira (8) uma reunião que deve consolidar ainda mais o poder do presidente Xi Jinping.

Quase 400 membros participam na sexta sessão plenária do XIX Comitê Central do partido, que acontece durante quatro dias em Pequim.

A reunião acontece a portas fechadas, como todos os encontros da cúpula do regime chinês.

A agência estatal de notícias Xinhua afirmou que Xi abriu a reunião com um relatório de trabalho e "apresentou explicações sobre um projeto de resolução que envolve as principais conquistas alcançadas e a experiência histórica acumulada de 100 anos de esforços do Partido".

A resolução marcará o tom do 20º congresso partidário do próximo ano, no qual se espera que Xi declare que terá um terceiro mandato no poder, cimentando sua posição como o líder mais poderoso da China desde Mao Tsé-Tung.

A imprensa estatal exaltou a liderança de Xi antes da reunião. A Xinhua publicou que é um homem de pensamentos e sentimentos profundos, um homem que herdou um legado, mas que ousa inovar, e um homem visionário comprometido com o trabalho incansável".

O governo de Xi é marcado por ações de luta contra a corrupção, políticas repressivas em Xinjiang, Tibete e Hong Kong, assim como uma abordagem cada vez mais assertiva nas relações internacionais.

Também criou um culto à personalidade que impede críticas e elimina seu rivais, além de ter apresentado a própria teoria política, conhecida como 'O Pensamento de Xi Jinping', a estudantes.

Chris Johnson, do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, afirmou ao podcast "Sinocism" que a nova resolução pode representar uma oportunidade para que Xi "limpe (...) algumas partes da história que não o agradam, inclusive os excessos de reformas econômicas do fim dos anos 1990.

Xi lançou recentemente uma campanha de "prosperidade comum" para enfrentar a desigualdade de renda e endurecer o controle sobre as grandes empresas do país.

- Reescrever a história -

A resolução do Comitê Central seria a terceira do tipo na história do Partido Comunista da China.

A primeira, aprovada sob o governo de Mao em 1945, ajudou a estabelecer sua autoridade sobre o partido quatro anos antes da tomada de poder na China.

Com a segunda, sob Deng Xiaoping em 1981, o regime adotou reformas econômicas e reconheceu os "erros" da era Mao.

Com a nova resolução, Xi poderia "de fato fazer com Deng o que Deng fez com Mao, ao criticar os excessos das reformas e políticas de abertura de Deng Xiaoping", acrescentou Johnson.

Ainda faltaria um ano para Xi conseguir o terceiro mandato no congresso, que acontece a cada cinco anos.

Xi Jinping eliminou os limites para os mandatos de governo com uma reforma constitucional em 2018, e não designou um sucessor, o que sugere que pretende governar pelo menos até 2027.

"Xi Jinping já começou a reescrever a história do partido em livros didáticos, universidades e na imprensa... reduzindo fortemente seus erros como o Grande Salto Adiante e a Revolução Cultural, e glorificando sua ação como secretário-geral do partido", disse Alice Ekman, do Instituto da União Europeia para Estudos de Segurança.

A nova resolução é "claramente parte dos esforços de Xi Jinping para prolongar sua presença como líder do partido", completou.

A economia pós-pandemia e a questão de Taiwan - uma ilha de governo democrático que a China reivindica como própria - também podem figurar na agenda da reunião.

rox/qan/mas/zm/fp

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