Líderes da Câmara reúnem-se novamente na quinta-feira para discutir prisão de parlamentar

Maria Carolina Marcello
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Plenário da Câmara dos Deputados

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - Sem definição sobre o destino do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), preso por divulgar ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a Câmara decidiu cancelar sessão de votações na manhã da quinta-feira e reunirá novamente seus líderes para discutir o assunto mais uma vez.

Entre a cruz e a espada, deputados se veem entre o desejo de reafirmar sua autonomia --ainda que para todos os ministros do Supremo as manifestações de Silveira tenham extrapolado o limite da liberdade de expressão e configurem tentativas de impedir o exercício do Judiciário-- e o risco de comprar briga com um outro Poder, que aliás, é responsável pela investigação de muitos dos parlamentares.

A sessão de votações da manhã da quinta estava prevista desde a última semana, e trazia na pauta projetos, requerimentos e uma medida provisória. Mas diante da prisão na véspera de Silveira, determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes e chancelada pelo plenário da corte nesta quarta-feira por unanimidade, deputados passaram o dia em reuniões.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), convocou reunião da Mesa Diretora da Casa para o início da tarde. Depois, houve uma reunião de do colégio de líderes.

Mas mesmo após toda a discussão, deputados decidiram retomar o tema em uma reunião de líderes prevista para as 14h da quinta. Caberá à Câmara analisar se mantém ou relaxa a prisão do parlamentar em votação do plenário por maioria dos membros.

Daniel Silveira foi preso em flagrante por crime inafiançável na noite de terça-feira após determinação do ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito sobre a divulgação de fake news.

Denúncia da Procuradoria-Geral da República apresentada nesta quarta-feira ao STF contra Daniel Silveira aponta uma série de crimes que vão desde a coação no curso do processo à incitação de animosidade entre as Forças Armadas e a cúpula do Poder Judiciário.