Líderes da greve de 2018 condenam paralisações feitas por caminhoneiros em doze estados do país

Líderes da greve de 2018 e entidades que representam os caminhoneiros condenam as paralisações que estão acontecendo nesta manhã em estradas do país e garantem que não há orientação para esse movimento. Os dirigentes dessas entidades afirmam reconhecer o resultado da eleição presidencial, com vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, afirmam que as paralisações são promovidas por grupos isolados e podem prejudicar a economia.

Protestos: Grupos de caminhoneiros fecham estradas um dias após eleição de Lula

O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim (Chorão), que despontou na greve de 2018, afirmou em vídeo enviado ao GLOBO, nesta manhã, que o segmento passa por um momento difícil, disse que há paralisações pontuais nesta manhã, mas ele reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e parabenizou o presidente eleito. Ele afirmou que paralisações neste momento vão prejudicar a economia.

- Recebi vários telefonemas nesta manhã, mas a categoria precisa ter um alinhamento com o próximo governo. Precisamos lutar sim pelo nosso segmento de transporte e tirar muitas coisas do papel. Mas precisamos ter o reconhecimento da democracia, e embora o resultado tenha sido muito apertado, é preciso ter alinhamento com o novo governo. Paralisar o país vai prejudicar a economia. Não é o momento de parar o país, precisamos ter responsabilidade - declarou.

Para Ivar Luiz Schmid, ex-integrante do Comando Nacional dos Transportes (CNT), nenhuma entidade apoia as paralisações e elas saíram da "cabeça de radiciais que não aceitam o resultado do processo eleitoral". Ele acredita que o movimento não deve se estender e que amanhã já não serão registrados novos bloqueios.

- É fogo de palha. Creio que amanhã isso já esteja superado - afirmou.

Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas, o deputado federal Nereu Crispim (PSD/RS), disse ao GLOBO nesta manhã que não existe orientação para que a categoria se manifeste contra o resultado das eleições presidenciais.

O deputado afirmou que a Frente reconhece a vitória de Lula e que os caminhoneiros autônomos não fizeram parte de algumas paralisações realizadas em estradas do país, ontem à noite e nesta manhã. O deputado disse que entrou com ofício junto à diretoria-geral da Polícia Rodoviária Federal para que seja garantido o direito de ir e vir dos caminhoneiros autônomos.

- São criminosos, com viés ideológico os que estão promovendo paralisações. A Frente Parlamentar reconhece a vitória de Lula, não apoia nem participa dessas manifestações. Estão usando indevidamente o nome de nossa categoria - disse Crispim.

Ele afirmou que as pautas dos caminhoneiros autônomos continuam sendo as mesmas da paralisação de maio de 2018: piso mínimo para o frete, aposentadoria aos 25 anos de trabalho, defesa de mais postos de descanso e parada nas estradas.

A Abrava fez um balanço das paralisações nesta manhã, de pequenos grupos de manifestantes. Segundo a associação, há 63 pontos de interdição em 12 estados: Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo.

A maioria das interdições acontece em Santa Catarina, estado de base bolsonarista, que registrou nesta manhã 18 pontos de interdião em estradas. Em seguida, estão o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estados do agronegócio, que apoiaram a candidatura de Bolsonaro, com 19 pontos de interdição em estradas dos dois estados.

No Rio de Janeiro, segundo ele, a BR 101 está fechada no quilômetro 64, na altura de Campos. Em Barra Mansa, noquilômetro 276,da BR-116, no posto de combustível Flumidiesel, há bloqueio total da rodovia, com 5 quilômetros de extensão sentido Rio de Janeiro.

Segundo nota da PRF nesta manhã, foram registradas situações de bloqueio ou de aglomeração nos estados de: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Pará, Goiás, São Paulo, além do Distrito Federal.

Em São Paulo, a concessionária Triunfo Transbrasiliana, por exemplo, informou que um grupo de 50 manifestantes ateou fogo em pneus às margens do quilômetro 51 da BR-153, altura do município de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, por volta de 6h15. A manifestação causou 2 quilômetros de filas, nos dois sentidos.

A Policia Rodoviária Federal informou que se tratavam de apoiadores do presidente Jair Bolsdonaro. Após negociação, as pistas foram desbloqueadas por volta de 8h. A PRF, Polícia Militar, bombeiros e Helicóptero Águia foram para o local.

Também houve manifestação na BR-166, altura da cidade de Jacareí, interior de São Paulo, segundo informações que circularam pela manhã em grupos de whtsapp dos policiais.

Na noite deste domingo, vídeos postados em redes sociais, mostravam representantes de caminhoneiros informando que havia paralisações em estradas de Santa Catarina, Mato Grosso, São Paulo, Goías e Rio de Janeiro.