Líderes dos Proud Boys são acusados por conspiração sediciosa, ligada ao ataque ao Capitólio

Cinco membros do grupo extremista Proud Boys, incluindo seu líder, foram acusados por conspiração sediciosa pela Justiça americana, em um caso ligado à participação do grupo na invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.

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De acordo com comunicado do Departamento de Justiça, o chefe dos Proud Boys, Henry “Enrique” Tarrio, e os outro quatro réus “conspiraram para prevenir, atrapalhar ou atrasar a certificação do voto do Colégio Eleitoral e se opor, à força, à autoridade do governo dos EUA”, acusações que se enquadram na definição da conspiração sediciosa, pela lei americana.

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A acusação se soma a outras já em curso, mas esta, a de conspiração sediciosa, é a mais grave e talvez a mais difícil de provar: ali, os promotores precisam apresentar evidências concretas de que duas ou mais pessoas concordaram com o uso da força para derrubar o governo ou interferir na execução de leis federais. Em janeiro, líderes de outro grupo extremista, os Oath Keepers, também foram processados pelo crime, que pode levar a uma pena de até 20 anos de prisão.

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No dia 6 de janeiro de 2021, o Senado dos EUA realizaria uma sessão protocolar para confirmar a vitória de Joe Biden na eleição presidencial de novembro do ano anterior, sobre o então presidente, Donald Trump. Contudo, o republicano não aceitou a derrota, e lançou uma campanha de desinformação contra o processo eleitoral e acusando Biden de liderar uma ampla fraude em estados onde Trump perdeu, como a Geórgia e o Arizona.

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Horas antes do ataque, Trump fez um discurso inflamado a cerca de 1 km do Capitólio, onde, além das acusações infundadas de fraude, sugeriu que seus apoiadores fossem até a sede do Legislativo protestar contra a confirmação de Biden. Entre os manifestantes, que levavam bandeiras de Trump e cartazes pedindo a prisão de Mike Pence, então vice-presidente, estavam os Proud Boys. Mas as investigações vêm mostrando que o papel dos Proud Boys não ficou restrito a gritos contra o sistema e a favor de Trump.

“No dia 6 de janeiro de 2021, os réus dirigiram, mobilizaram e lideraram integrantes da multidão para o interior do Capitólio, derrubando barricadas de metal, destruindo propriedade privada, invadindo o prédio do Congresso e atacando agentes da Lei”, diz o comunicado do Departamento de Justiça. “Durante e depois do ataque, Tarrio e os demais réus receberam o crédito pelo que tinha acontecido, em redes sociais e em uma sala de chat criptografada.”

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Segundo o site Politico, a acusação incluiu uma conversa de Tarrio com uma pessoa não identificada na qual fez uma analogia entre a invasão ao Capitólio e a queda do Palácio de Inverno, um dos eventos principais da Revolução Russa de 1917. Os promotores também apresentaram provas de que o réu planejava invadir outros prédios do governo federal naquele mesmo dia.

Tarrio não estava em Washington no dia do ataque: um juiz local havia determinado que deixasse a capital americana por ter queimado um cartaz do grupo Black Lives Matter, durante um protesto semanas antes.

Mesmo assim, de acordo com o New York Times, os promotores encontraram evidências de que ele emitiu ordens específicas, como para que os membros dos Proud Boys não usassem seus símbolos habituais. As ações, afirmam, estavam concentradas em um grupo de Telegram chamado de "Ministério da Autodefesa".

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Tarrio está preso desde março, quando foi acusado por conspiração para obstruir a certificação dos votos do colégio eleitoral. Em abril, ele e outras quatro pessoas se declararam inocentes. Segundo advogados de defesa do grupo, não há provas de que eles tenham conspirado para a invasão do Capitólio. Eles afirmam ainda que o grupo no Telegram foi uma forma encontrada para que se protegessem de “ativistas de esquerda” com quem tiveram problemas no passado. Um sexto acusado, Charles Donohoe, se declarou culpado em um outro caso, em abril, e está colaborando com as autoridades.

Desde o ataque ao Capitólio, as autoridades federais prenderam mais de 800 pessoas por crimes relacionados à invasão, incluindo 250 por ataques contra as forças de segurança.

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