Líderes partidários consideram tom ameno de Silveira 'recuo estratégico' que não convencerá a Câmara

Jussara Soares
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BRASÍLIA — Apesar do tom ameno adotado pelo deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) durante a sessão para pedir desculpas e falar em arrependimento, líderes de partidos na Câmara já dizem que a mudança de postura não deve apagar os ataques feitos aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para lideranças ouvidas pelo GLOBO logo após o encerramento da fala de Silveira, o parlamentar bolsonarista fez apenas um recuo estratégico, mas não o suficiente para convencer a Casa de que merece a soltura.

Em caráter reservado, parlamentares ironizaram a nova versão de Daniel Silveira, dizendo que “não parece o mesmo da Terça-Feira de Carnaval”, quando o vídeo com ataques à Corte foi divulgado. Outro ao comentar o apelo feito pelo deputado preso chegou a dizer: “Fiquei com dozinha”.

— Sentiu. Tentou, como a mudança do tom, com mais humildade, e fazendo mea culpa dos excessos se vitimizar. Mas não surtirá efeito na decisão de casa, que ratificará a decisão do STF — disse o líder do PSB, deputado Danilo Cabral (PE).

— Foi uma fala leve, com autocrítica, mas as posições estão muito consolidadas na bancada, seja a favor ou contra — disse o líder do DEM, deputado Efraim Filho (PB).

Líder do PT, deputado Enio Verri (PR) observou que para se defender Silveira chegou a mudar o discurso dele até aqui com defensa ao AI-5. O parlamentar também criticou o argumento do colega que justificou os ataques alegando ser “inexperiente”

— Não colou e isso não convence nenhuma bancada. A intervenção dele não ajudou. Pelo contrário, a maneira como ele fala vai de encontro à própria apresentação. Ele defende o AI-5 e agora quer defender a democracia e própria Constituição. Segundo, ele alega que é inexperiente. Ora, alegar ignorância da lei não isenta o indivíduo das sanções nela prevista — disse o líder do PT.

— A retratação do deputado não só é necessária, mas também o que se espera de qualquer parlamentar. A constituição existe para ser cumprida. Isso não isenta crimes e responsabilidades — disse o líder do Cidadania, deputado Alex Manete (SP).