Líderes partidários no Congresso temem predominância de militares no primeiro escalão do governo

Amanda Almeida e Bruno Góes
Sessão do Congresso Nacional

BRASÍLIA — Líderes de partidos no Congresso veem com cautela a predominância de militares no primeiro escalão do governo, especialmente em postos-chave no Palácio do Planalto. A nomeação do general de Exército Braga Netto nesta semana, que assume a Casa Civil, foi último aceno do presidente Jair Bolsonaro à categoria. Agora, todos os ministros que despacham no local são militares.

Líder do DEM, Efraim Filho (CE) avalia que a saída de Onyx Lorenzoni da pasta enfraquece a relação do Executivo com o Congresso. Para ele, há possibilidade de deterioração no diálogo entre parlamentares e o governo, apesar de a falta de interlocução ser criticada desde que Bolsonaro assumiu a Presidência.

— Com essa decisão, o governo assume sua identidade próximo daquilo que sempre defendeu. Gera um núcleo militar e tende a se afastar do núcleo político e do parlamento — diz o deputado.Já o líder do PSD, Diego Andrade (MG), diz que só será possível ter uma avaliação "mais clara" da militarização no Planalto no decorrer do tempo.