Líderes de partidos acreditam que Witzel não vai reverter votos para escapar do impeachment

Maiá Menezes e Vera Araújo
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Witzel na inauguração de batalhão na Tijuca.

A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) decidiu acelerar o ritmo de votação do impeachment do governador Wilson Witzel. Impedidos por liminar do ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), de dar seguimento ao processo, os deputados acertaram para terça-feira uma sessão para constituir a nova comissão, como exige a Justiça, e dar prosseguimento às análises das denúncias sobre desvios de recursos públicos em compras emergenciais para o combate à Covid-19.

— O processo estará encerrado em duas semanas — disse ontem o presidente da Alerj, André Ceciliano.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) tem até segunda-feira para se manifestar sobre recurso da Alerj, que está nas mãos do ministro do STF Alexandre de Moraes, pedindo a suspensão dos efeitos da liminar de Toffoli. Caso a manifestação seja contrária, os deputados já estão preparados para eleger os novos membros da comissão e apreciar o processo em dez sessões.

De acordo com Ceciliano, serão convocadas sessões extraordinárias de segunda a sexta para apreciar o caso. A expectativa é que a autorização para o impeachment definitivo seja dada no dia 28.

Caso Alexandre de Moraes suspenda a liminar, o processo será encerrado ainda mais rapidamente, na semana que vem, segundo o presidente da Alerj. Em ambos os casos, a apreciação final será do plenário. Witzel será afastado por seis meses, caso se decida pelo impeachment. A palavra final será dada por um grupo de cinco deputados estaduais escolhidos em votação e por cinco desembargadores designados pelo Tribunal de Justiça.

A nova comissão, caso o processo precise ser reiniciado, terá 39 membros, respeitando a proporcionalidade partidária exigida por Toffoli. O ministro concedeu liminar para a defesa de Witzel, que havia alegado falta de proporcionalidade na escolha dos integrantes da comissão que irá julgá-lo. Os advogados do governador defendem que a configuração do grupo deve respeitar o peso de cada partido político na Casa.

Enquanto o prazo aperta para Witzel, cerca de 40 deputados já foram recebidos pelo secretário da Casa Civil, André Moura,em busca de espaço no governo ou de verbas para usar em suas regiões, em ano eleitoral. Quatro deputados ouvidos pelo EXTRA disseram que não se sentiram contemplados.