Líderes de protestos no Sudão e militares acordam conselho conjunto

Manifestantes sudaneses protestam diante do quartel-general do exército em Cartum

Os líderes dos protestos no Sudão e os militares no poder acordaram, neste sábado, estabelecer um conselho civil e militar conjunto, durante as reuniões entre as duas partes para discutir a petição dos manifestantes de uma transferência do poder aos civis, indicou um líder do movimento.

"Acordamos um conselho conjunto entre civis e militares", disse à AFP Ahmed al-Rabia, que participou das negociações. "Agora estamos em consultas para determinar qual porcentagem do conselho deveria estar representada por civis e qual pelos militares", acrescentou.

Este anúncio chega ao final da primeira reunião de um comitê conjunto que reagrupa os representantes do protesto e os do Conselho Militar de transição atualmente no poder. A instauração do comitê conjunto tinha sido anunciada na quarta-feira.

Desde 6 de abril, os manifestantes estão acampados em frente ao quartel-general do exército em Cartum, em um movimento de protesto iniciado em 19 de dezembro para denunciar a decisão de triplicar o preço do pão, e que acabou derivando em um protesto contra o presidente Omar al-Bashir.

Depois de que o exército destituiu Al-Bashir, os manifestantes decidiram manter sua concentração para conseguir a transferência do poder a uma autoridade civil. Exigem, ainda, que o presidente destituído e os principais responsáveis de seu regime sejam julgados.

Dirigido pelo general Abdel Fatah al-Burhan, o Conselho Militar resistiu até agora aos chamados a ceder o poder, incluindo os da comunidade internacional. Três dos dez membros do conselho renunciaram na quarta-feira.

O país de cerca de 40 milhões de habitantes, que reduziu em três quartos suas reservas de petróleo desde a independência do Sudão do Sul, em 2011, enfrenta especialmente uma grave escassez de divisas estrangeiras.