Líderes rivais avançam nas discussões sobre cessar-fogo na Líbia

Por Maxime POPOV con Imed LAMLOUM en Trípoli
O chefe do GNA, Fayez al-Sarraj (esquerda), e o marechal Khalifa Haftar

Os dois líderes rivais líbios estão nesta segunda-feira (13) em Moscou para negociações destinadas a assinar um acordo formal de cessar-fogo, que entrou em vigor no domingo (12), em plena ofensiva diplomática para evitar que o conflito piore.

O chefe do Governo de União Nacional (GNA), reconhecido pela ONU, Fayez al-Sarraj, e o marechal Kalifa Haftar, que controla o leste do país, viajaram para a capital russa, um sinal da crescente influência de Moscou neste conflito.

Os dois rivais, porém, não se encontraram pessoalmente.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, anunciou que progressos foram feitos nas negociações, que duraram cerca de sete horas, e que foram acompanhadas pelos ministros turcos das Relações Exteriores e da Defesa, Mevlut Cavusoglu e Hulusi Akar, respectivamente.

Sarraj já assinou o acordo, enquanto o marechal Haftar pediu "um pouco mais de tempo até amanhã de manhã" para refletir.

"Nós mobilizamos esforços para que o cessar-fogo seja durável", declarou o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, durante uma coletiva de imprensa em Ancara com o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, que fez o mesmo pedido.

Ancara, que apoia Sarraj, enviou militares ao país, enquanto Moscou é suspeito de apoiar Haftar com armas, dinheiro e mercenários.

Haftar estará acompanhado por seu aliado Aguila Salah, presidente do Parlamento líbio com sede no leste. Junto com seu rival Sarraj estará Kaled al-Meshri, presidente do Conselho de Estado.

Em uma breve declaração na televisão, Sarraj pediu aos líbios, nesta segunda-feira, que "virem a página do passado, rejeitem a discórdia e unam forças para avançar em direção à estabilidade e à paz".

Reivindicado pela Rússia e pela Turquia, o cessar-fogo na Líbia entrou em vigor no domingo à meia-noite, horário local. Ele foi aplaudido pela União Europeia, pelos Estados Unidos, pela ONU e pela Liga Árabe.

Essa trégua deve servir como prelúdio de uma conferência sobre a Líbia em Berlim, em janeiro, promovida pela ONU.

A chanceler alemã, Angela Merkel, viajou para Moscou no sábado (11) para discutir esta questão com o presidente russo, Vladimir Putin, que também conversou por telefone com líderes árabes e europeus.

No terreno, tiros eram ouvidos intermitentemente ao sul da capital, mas a frente de combate parecia calma no geral.

Entre a entrada da Turquia no conflito líbio, a suposta presença de mercenários russos e a existência de uma multidão de grupos armados, a comunidade internacional teme que a guerra se internacionalize e degenere.

Como na Síria, Moscou e Ancara se impuseram na Líbia como mediadores incontestáveis do conflito, diante da impotência dos países ocidentais.

A Europa teme, por sua vez, que a Líbia se torne uma "segunda Síria". Ao mesmo tempo, busca reduzir o fluxo de migração em suas fronteiras, após receber milhares de migrantes da Líbia e da Síria nos últimos anos.

A Líbia, um país petrolífero, está mergulhada no caos desde a queda do regime de Muammar Khadafi em 2011, depois de uma revolta popular e intervenção militar liderada pela França, Reino Unido e Estados Unidos.