Líderes rivais no Sudão do Sul se dão mais 100 dias para formar governo

Por Michael O'HAGAN
(Arquivo) Salva Kiir (d) e Riek Machar

O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, e o líder rebelde Riek Machar se deram mais cem dias para formar um governo compartilhado, depois que não conseguiram resolver as diferenças em torno do acordo de paz.

Ambos os líderes, cujas diferenças em 2013 levaram a um conflito que deixou centenas de milhares de mortos, anunciaram a extensão do prazo em uma reunião conjunta excepcional com importantes líderes regionais em Uganda.

É a segunda vez que o prazo é prorrogado desde que os rivais assinaram um acordo que levou a uma pausa nos combates.

Ambos os partidos concordaram em unir forças em uma coalizão governamental até 12 de novembro. Mas à medida que a data se aproximava e ainda havia coisas a serem resolvidas, os líderes regionais implementaram mediações de alto nível em Entebbe para estabelecer uma nova agenda.

“Era realmente impossível que eles chegassem a um acordo em cinco dias. Demos a eles mais três meses e continuaremos com nosso compromisso”, afirmou à AFP o ministro das Relações Exteriores do Uganda, Sam Kutesa, após discussões a portas fechadas na Casa Estatatal em Entebbe.

"Na reunião concordou-se em estender o período pré-transitório... e revisar o progresso após cinquenta dias (em 12 de novembro)”, disse Kutesa após a reunião, lendo um comunicado oficial.

O presidente ugandês Yoweri Museveni, o general Abdel Fattah al-Burhan, que chefia o conselho soberano do vizinho Sudão, e Kalonzo Musyoka, enviado especial do Quênia, foram alguns dos delegados de alto nível presentes na reunião.

O acordo de paz reduziu bastante os combates que eclodiram dois anos após a independência do Sudão do Sul e que deixaram um saldo de 400.000 mortos e quatro milhões de deslocados.