Líderes russos profetizam queda dos EUA após ataque ao Capitólio

Michael MAINVILLE
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Apoiadores do presidente Donald Trump protestam em frente ao Capitólio em Washington, Estados Unidos

"A festa da democracia acabou", proclamou nesta quinta-feira (7) uma destacada figura do Parlamento russo após o ataque ao Capitólio, uma das muitas vozes em Moscou que profetizam a queda dos Estados Unidos e sua democracia que "manca dos dois pés".

A Rússia acordou na manhã do Natal ortodoxo com imagens de distúrbios nos canais públicos de televisão, com manchetes como "Ataque ao Capitólio" ou "Caos em Washington", mostrando uma multidão entrando no Capitólio sob a fumaça de gás lacrimogêneo.

O Congresso dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira Joe Biden como próximo presidente dos Estados Unidos, mas vários funcionários russos afirmam que os recentes acontecimentos revelam as falhas da democracia americana.

"O sistema eleitoral americano é arcaico, não cumpre com as normas democráticas modernas (...) e a imprensa americana se tornou um instrumento de luta política", disse a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova.

"Esta é, em grande parte, a razão da divisão da sociedade que se observa atualmente nos Estados Unidos", acrescentou, citada pelas agências russas.

Moscou rejeita há muito tempo as críticas dos Estados Unidos sobre a democracia russa sob o mandato do presidente Vladimir Putin e acusa Washington de hipocrisia e condescendência.

Retomando elementos retóricos usados contra a Rússia, várias autoridades disseram que Estados Unidos perdeu toda a legitimidade de dar aulas de democracia aos outros países.

"O lado derrotado tem motivos mais que suficientes para acusar os vencedores de falsificações, é evidente que a democracia americana manca dos dois pés", declarou no Facebook Konstantin Kosachev, presidente do Comitê das Relações Exteriores da câmara alta do Parlamento russo.

"A festa da democracia acabou. Infelizmente, chegou ao fundo do poço. Eu digo isso sem um pingo de alegria. Estados Unidos perdeu seu caminho e, portanto, não tem o direito de estabelecer um rumo. E muito menos de impor um aos outros", afirmou.

O Kremlin não reagiu até o momento, mas muitos parlamentares pró-governo comentaram o ocorrido.

O presidente do Comitê das Relações Exteriores da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, Leonid Slutski, disse às agências russas que "Estados Unidos não pode mais impor normas eleitorais aos outros países e pretender ser o 'farol da democracia' no mundo".

A Rússia acusou repetidamente os Estados Unidos de apoiar os levantes contra Moscou em sua área de influência, como na Ucrânia, Geórgia e, mais recentemente, em Belarus.

As relações entre Moscou e Washington se agravaram consideravelmente nos últimos anos, com várias ondas de sanções americanas contra a Rússia, disputas sobre tratados de não-proliferação de armas e acusações de ciberataques russos em grande escala.

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